Serviço pode gerar receita
de R$ 100 milhões por ano
A proposta do governador Jaime Lerner de tornar o novo serviço de inspeção anual de veículos uma função dos institutos estaduais de tecnologia poderá gerar uma receita bruta de R$ 100 milhões ao ano para o Paraná, a partir de 2001. Descontadas as despesas operacionais, sobrariam cerca de R$ 60 milhões, dinheiro que seria investido exclusivamente em projetos de ciência e tecnologia.
A inspeção anual obrigatória para veículos com mais de três anos de fabricação deveria ter entrado em vigor em março de 1999, mas foi adiada para janeiro de 2001, quando a estrutura de vistoria estará pronta. Em todo o Brasil, a renda bruta chegaria a R$ 1,8 bilhão, dos quais R$ 1 bilhão seriam destinados a financiar projetos de desenvolvimento tecnológico. A proposta já tem o apoio do governo federal. ‘‘A receita da inspeção veicular vai praticamente dobrar os investimentos do Ministério da Ciência e Tecnologia, sem mexer no orçamento do governo federal’’, afirma o governador Jaime Lerner.
A inspeção obrigatória anual de veículos foi determinada por uma resolução do Conselho Nacional de Trânsito (Contran) e já deveria estar em vigor desde março do ano passado. Sem opções para viabilizar a medida, o governo federal encontrou na proposta paranaense a solução para dois problemas: a rápida implementação de uma norma do novo Código de Trânsito e a garantia de recursos adicionais para projetos de desenvolvimento tecnológico.
No Paraná, a inspeção obrigatória de veículos seria feita pelo Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar) em parceria com o Instituto Tecnológico do Laboratório Central de Pesquisa e Desenvolvimento (Lactec), entidade mantida pela Copel, pelo Sistema Fiep e por outras entidades. O credenciamento do Tecpar e do Lactec acontecerá através de uma concessão do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), vinculado ao Ministério da Justiça.
Para atender os 2,3 milhões de veículos registrados no Estado serão implantadas cerca de 80 oficinas especializadas. O investimento deverá chegar a R$ 75 milhões, dinheiro que logo retornaria ao governo com os serviços prestados.