São Paulo - Com uma virada na reta final da disputa, o tucano José Serra e o petista Fernando Haddad superaram o candidato do PRB, Celso Russomanno, e farão o segundo turno para a Prefeitura de São Paulo. Haddad e Serra contaram com o maior tempo de propaganda na TV durante a campanha. O petista, apostou todas as fichas no padrinho, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Já o tucano, defendeu a gestão do prefeito, Gilberto Kassab (PSD), e contou com o apoio do governador do Estado, Geraldo Alckmin (PSDB).
No início da campanha, em julho, o candidato do PRB aparecia em segundo lugar nas pesquisas, atrás de Serra, mas conseguiu ultrapassar o tucano já no mês seguinte e manteve a ponta durante quase todo o período de propaganda eleitoral gratuita. Na reta final, porém, Russomanno começou a sofrer ataques de Serra e Haddad - e também de Gabriel Chalita, candidato do PMDB à prefeitura - e perdeu a liderança isolada da disputa.
Serra trabalhou desde o início da campanha para convencer o eleitor de que vai permanecer no cargo de prefeito até o fim do mandato - e não deixar o cargo para disputar a Presidência da República ou o governo do Estado, como aconteceu em 2006. Após ser abordado sobre o tema em entrevistas e debates, ele exibiu depoimento no horário eleitoral gratuito afirmando que, caso eleito, vai cumprir o mandato.
Primeiro na corrida
Serra consigou em primeiro lugar uma vaga para o segundo turno para a disputa da Prefeitura de São Paulo numa corrida eleitoral considerada ''imprevisível'' pelo comando do seu partido. ''Vamos fazer uma campanha a favor de São Paulo, pelo desenvolvimento de São Paulo, com propostas que olhem para o presente e para o futuro. Que cidade queremos? Uma cidade mais justa, mais leve e mais acolhedora'', disse Serra, logo após votar, no Colégio Santa Cruz, na zona oeste de São Paulo.
Candidato derrotado à Presidência da República por duas vezes, Serra resistiu a se candidatar a prefeito. Acabou entrando na disputa após pressão do seu partido e análise da conjuntura política, que propiciava uma candidatura até como forma de fortalecer seu grupo e unir o PSDB na capital paulista.
Haddad
Horas depois de ser confirmado no segundo turno da disputa, o candidato do PT à Prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad, disse não ter medo de enfrentar Serra (PSDB) e amenizou a provável exploração do julgamento dos réus petistas do mensalão em sua campanha.
''O eleitor paulistano sabe discernir entre o julgamento do mensalão e o pleito municipal'', disse ele. ''São Paulo precisa de uma reflexão profunda sobre os seus problemas. Não dá mais para ficar desse jeito''. Haddad tem o apoio do ex-presidente Lula, que foi quem avalisou e ''criou'' a candidatura dele. A presidente Dilma Rousseff ligou para Haddad no início da noite, parabenizando-o pela passagem para o segundo turno.

mockup