Repor estoques, fazer decoração, garantir a limpeza e a organização da empresa. Só com muito trabalho e dedicação para encarar o trabalho noturno com a seriedade exigida por um negócio, declaram os empresários do ramo. Experientes, porém, eles também sabem explorar a disposição dos consumidores em gastar para se divertirem.
Para o vice-presidente do Sindicato dos Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares de Londrina, Alzir Bocchi, um dos problemas do comércio noturno é a alta rotatividade no setor ocasionado, segundo ele, pela inexperiência administrativa dos proprietários dos negócios. Bocchi declara que só com gestão profissional a empresa consegue manter-se no disputado mercado do entretenimento.
O gerente de uma pizzaria, Evandro Roque, revela a concorrência existente nos últimos anos no ramo de alimentos fez com que os rendimentos diminuíssem. Mesmo assim, contabiliza, o lucro da atividade noturna seria ''interessante''.
Dono de duas danceterias, um bar e um restaurante, o empresário Alexandre Guimarães, afirma que ''a noite agrega valor aos produtos''. Ele exemplifica ao comparar que uma cerveja vendida durante o dia por R$ 2,5 pode ser comercializada a R$ 3,50 durante a noite. Empregando 130 pessoas nos quatro negócios, ele ressalta que a grande diferença entre as casas está no atendimento. ''A minha maior dificuldade é treinar pessoal para atender durante a noite. Cada negócio tem um perfil e exige atendimento específico para o local'', justifica.
Sem revelar números, Guimarães fala que trabalhar com a noite é compensador desde que qualquer investimento seja previamente estudado. Com aguçada visão empresarial, ele sabe que as pessoas estão dispostas a gastarem à noite. ''Eu sou o lado bom da vida. As pessoas deixam os problemas em casa e querem se divertir com o que eu ofereço'', afirma. De acordo com o empresário, cerca de 10 mil pessoas circulam pelos quatro empreendimentos dele a cada mês.
Investir sempre em novidade é o segredo da padaria que virou uma conveniência e recebe muitos clientes de madrugada, antes e depois das baladas, garante a gerente Odete Alves. Mesmo dizendo que manter o negócio funcionando 24 horas é cansativo e exige organização, ela não se cansa de trabalhar.
Para atender a clientela que se multiplica nos finais de semana, o quadro de 92 funcionários é organizado de modo que 10 pessoas a mais estejam na escala do final de semana. Segundo Odete, o movimento é constante mas o pico fica entre às 15h e 22h. Para conseguir gerir o negócio que não pára nunca, ela conta que o segredo é delegar funções.(J.W.)

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