Seremos o próximo Afeganistão?
O físico e engenheiro José Bautista Vidal, ex-secretário nacional de Tecnologia nos governos Ernesto Geisel e José Sarney, é um crítico contundente da atual política brasileira de desenvolvimento para a área de energia, comandada pelo governo Fernando Henrique Cardoso.
Vidal esteve no último dia 5 em Foz do Iguaçu participando do painel Projeto Brasil no Contexto da Agenda 21, dentro da programação da 58 Semana Oficial da Engenharia, da Arquitetura e da Agronomia (SOEAA), evento promovido pelo Confea (Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia) e Crea-PR (Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia).
Segundo Bautista, a região onde acontece aconteceu a SOEAA é uma das mais ricas do Brasil em recursos hídricos. Ele lembrou que em todo o país, 95% da energia elétrica é de origem hidrelétrica, ou seja, é limpa. ''Nos Estados Unidos, apenas 6% vêm de hidrelétricas e 82% são obtidos através da queima de combustíveis fósseis, principalmente, do carvão mineral. Nós somos um País que tem abundância de sol e água. Isso ninguém mais tem. Estaríamos predestinados, se essas fontes continuarem nas mãos dos brasileiros, a ser a grande potência energética do planeta'', afirmou.
Privatização
Ele também criticou o processo de privatização das companhias estaduais de energia elétrica. Segundo o engenheiro, os compradores dessas empresas ''são grupos espúrios, delinquentes e que a sociedade brasileira não sabe quem são''.
Outra afirmação feita por Bautista Vidal é de que os atentados terroristas, ocorridos nos Estados Unidos, são reflexos da guerra pelo petróleo. Segundo ele, as reservas mundiais estão no fim, o que tem causado disputa entre as nações por essa fonte de energia.
O palestrante previu também que pode se repetir no continente brasileiro o que está acontecendo no Oriente: uma guerra travada pela disputa de uma matriz energética. ''Se nós, brasileiros, não ficarmos atentos a isso, vamos pagar um preço descomunal'', alertou.
Sobre a criação, por parte do Governo Federal, das agências de Água e Petróleo, Bautista Vidal afirmou que são prejudiciais ao País. ''As experiências que temos com elas são as piores possíveis. A Agência Nacional de Petróleo é um desastre porque está tirando as reservas descobertas pela Petrobrás e doando-as a grupos internacionais. O petróleo é uma questão vital, tanto que invadiram o Kuwait'', finalizou.





