de Londrina
O lucro da Sercomtel S/A Telecomunicações, nos últimos três anos, explica tudo: R$ 520 mil em 94, 5,1 milhões em 95 e 12,6 milhões em 96. A Sercomtel já era a ‘‘menina’’ dos olhos de Londrina bem antes de ser empresa. Funcionava, bem, como autarquia. Hoje está com o número de funcionários em baixa (915) e a produtividade em alta, sintonizada com as novas regras do mercado.
O presidente Rubens Pavan fala que o lucro veio dos investimentos em novos serviços e na ampliação da planta telefônica - ‘‘sem que fosse necessário aumentar o quadro funcional’’. A Sercomtel não exporta. É uma prestadora de serviços que desenvolve produtos básicos de telecomunicações: telefonia fixa, celular, comunicação de dados, provedoria de acesso a Internet, serviço público de mensagem e vários outros.
Como outras empresas brasileiras, a Sercomtel também enfrentou problemas no início da era Real. O principal, segundo o presidente, foi a inadimplência. Ao mesmo tempo em que foi bem-vinda a regularização dos preços, a falta de liquidez generalizada da classe média atrapalhou muito - esta é a faixa que mais utiliza os serviços da companhia.
Sobre os benefícios do Plano Real, Pavan destaca o aumento do consumo de serviços. Cresceu o valor da conta média e do número de usuários (adquirentes e locatários) da telefonia fixa e celular. Pavan lembra: ‘‘Vencido o primeiro impacto do Plano, foi possível perceber que o aumento do poder de compra da camada mais pobre da população permitiu a ela o acesso a serviços básicos, como telefone individual’’. Conclusão: aumento de linhas em uso é igual a aumento de receita.
No momento, Pavan tem suas preocupações com o Plano Real. Ele cita o desemprego crescente, os altos índices de inadimplência, a falta de liquidez generalizada e o sucateamento do maquinário rural e industrial. E sabe que existem mecanismos de política monetária e cambial que podem mudar a situação. Um deles seria a redução das taxas de juros a nível internacional - ‘‘via diminuição do compulsório e expansão do crédito, especificamente no setor produtivo’’ - completa.
O Brasil, que precisa exportar, deveria fazer pequenas desvalorizações cambiais. É isso o que ele defende, observando que seria um jeito de ampliar a produção interna, gerando empregos, aumentando a renda e favorecendo a queda nos juros. Pavan também sente falta de políticas de incentivo às exportações e de financiamentos a longo prazo para incrementar a produção de exportáveis.
‘‘Para diminuir a importação’’, continua, ‘‘as principais medidas seriam modificações na política cambial, aumento nos tributos sobre internação de produtos concorrentes e menores prazos para financiamento’’. E para iniciar um novo ciclo de crescimento econômico, Pavan não vê outra saída: manutenção de índices baixos de inflação, investimentos em educação e pesquisas voltadas para criação, aprimoramento tecnológico interno e ‘‘abaixo’’ as divergências entre capital x trabalho.
A lista dele é longa: governo mais eficiente - ‘‘e com ações concretas de combate à corrupção’’ -, criação de programas de incentivo aos projetos privados de desenvolvimento regional, estímulo aos projetos privados destinados à geração de emprego e reforma fiscal completa.
É neste cenário que ele trabalha, sabendo que o programa de estabilização impõe às empresas atuação com recursos próprios. Impõe políticas de redução sistemática de custos e racionalização de insumos. Impõe capacidade de competição, investimentos contínuos na melhoria da mão-de-obra e na atualização do parque tecnológico.
Por isso é que a empresa vem investindo pesado na modernização de seus sistemas - ‘‘e deverá continuar’’, diz o presidente. Sobretudo porque o setor em que atua é extremamente exigente em tecnologia. ‘‘Planejamos ocupar todo o mercado local, abrindo caminhos e serviços para atuar em novos mercados. Preparamos a empresa para um cenário competitivo que se aproxima’’.RAIO X
Setor: Telefonia
Faturamento
- em 96: R$ 12,6 milhões
- Previsão para 97: Não fornecida
Lucro líquido: Não fornecido
Funcionários: 915

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