Depois de uma sequência de seis anos de prejuízos, a Sercomtel passou a operar no azul em 2014. Mas ainda não é uma empresa sustentável. Sendo a única de economia mista a concorrer com gigantes privadas, a companhia enfrenta dificuldades, mas vem conseguindo cortar custos e crescer num mercado bastante competitivo.
O presidente da operadora, Christian Schneider, declara que a Sercomtel está "em vias de se tornar sustentável". Um dos principais desafios, na opinião dele, é reduzir a folha de pagamento da companhia que, proporcionalmente, seria bem maior que a da concorrência. Enquanto nas demais teles, o pagamento dos funcionários representaria cerca de 20% do faturamento, na telefônica de Londrina esse porcentual é de 30%. "A Sercomtel tem os melhores salários devido ao seu quadro de carreira. Boa parte dos funcionários tem mais de 20 anos de casa", afirma.
O objetivo da atual administração, que já realizou programas de demissão voluntária (PDVs), é diminuir a participação da folha para 25% da receita. Mas, Schneider identifica um grande obstáculo para se atingir a meta. A Justiça do Trabalho, de acordo com ele, entende que os funcionários da empresa, embora celetistas, tenham estabilidade no emprego porque fizeram concurso. "Temos muita dificuldade para demitir. Enquanto o setor demitiu 21 mil pessoas no ano passado, para conseguirmos desligar dois ou três é uma briga enorme."
O presidente alega que a empresa já fez outros cortes possíveis, como a redução de cargos de chefia, e redefiniu processos para ganhar produtividade. "Enxugamos etapas de processos administrativos, o que fez com que o rito decisório se tornasse mais rápido."
De acordo ele, a empresa cortou "na própria carne", o que teria permitido o resultado positivo de 2014. "Em telecomunicações, cortar custos é essencial. Os reajustes das tarifas são inferiores à inflação", alega. Os impostos representam 44% da receita. "Como não há o que fazer com os impostos, o jeito é reduzir a folha", ressalta.
Além de cortar custos, a empresa tem outras estratégias para chegar ao status de sustentável. "Temos hoje um planejamento de investimento. Fechamos contratos de R$ 15 milhões no ano passado para modernizar a área de telefonia móvel", conta. Com a casa "em ordem", a Sercomtel também vai poder buscar recursos no mercado. "Já temos projetos formatados."
A expansão dos serviços para outras cidades e o desenvolvimento de novos produtos são outras cartas na manga da empresa, segundo o presidente.

CENÁRIO
O balanço de 2015 da Sercomtel ainda não está pronto. E, segundo o presidente, devido à crise, o resultado não será "tão significativo", mas ainda estará azul. "Para um ano que tivemos um aumento tão grande do dólar, não foi ruim", afirma ele, justificando que a maior parte dos insumos da empresa são dolarizados.

Imagem ilustrativa da imagem Sercomtel está a caminho
| Foto: Celso Pacheco/23-07-2013
"Em telecomunicações, cortar custos é essencial. Os reajustes das tarifas são inferiores à inflação", revela o presidente da operadora, Christian Schneider
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