Há dois projetos de ferrovias em planejamento pelo governo federal que passam pelo Paraná. O primeiro tem dois trechos: um que sai da cidade de Maracaju (MS) e vai até Lapa, perto de Curitiba, passando pela região de Cascavel e de Guarapuava. E outro, de Lapa a Paranaguá. O segundo projeto é o da ferrovia Norte-Sul, prevista para cortar todo o País, do Pará ao Porto de Rio Grande (RS). O trajeto da estrada de ferro no Paraná não está definido. Originalmente, cortaria o Oeste do Estado. Mas, prefeitos do Norte afirmam ter conseguido convencer o governo a alterar o traçado, incluindo a região. O Ministério dos Transportes não confirma a informação.
Para o assessor técnico e econômico da Federação da Agricultura do Paraná (Faep), Nilson Hanke Camargo, só o primeiro projeto interessa. "Não agrega nada para nós (a Norte-Sul). Vai levar o que para onde? Não acho que seja viável", afirma ele, ressaltando que "não faz sentido" carregar a produção agrícola do Paraná para o porto gaúcho.
Já o primeiro projeto, que incluirá trecho da Ferroeste no Paraná, é uma "excelente" alternativa logística, na opinião dele, porque leva a produção para Paranaguá. "Beneficia não só o Paraná, como Mato Grosso do Sul", acredita.
O representante do Conselho Temático de Infraestrutura da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), João Arthur Mohr, que também será painelista no EncontrosFolha, considera que a Norte-Sul seria importante para movimentar grãos internamente, das regiões produtoras para aquelas onde estão localizados os frigoríficos avícolas, como o Oeste do Paraná e o Oeste de Santa Catarina.
Em relação à ferrovia que liga Maracaju (MS) a Paranaguá, Mohr ressalta que o projeto é bem moderno, principalmente na Serra do Mar. Hoje, nos trilhos concedidos à ALL, os trens vão em velocidade máxima de 25 quilômetros por hora (15 quilômetros na serra). Já na futura estrada de ferro, os vagões seguirão a 60 quilômetros por hora em todo o trecho. "O traçado é arrojado, com túneis em vez de curvas fechadas. E esses túneis terão altura que vai permitir colocar dois contêineres no trem, um sobre o outro", conta. A expectativa dele é que a ferrovia se viabilize em sete anos. (N.B.)

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