DivulgaçãoRita Lee inicia por aqui a sua turnê nacional e conta o que ela acha que é ‘‘ser normal em Curitiba’’Folha - De onde veio a inspiração para falar de Curitiba?
Rita - Esta música foi produto da inspiração que recebi ao dar um rolê pela cidade, quando apresentei ‘‘Marca da Zorra’’, no Guaíra. De volta ao hotel uma personagem curitibana entrou pela minha cabeça e passei a escrever sobre a vida dela, em primeira pessoa. Creio que psicografei alguém, alguma alma que foi, é ou será. Quando você mora em Sampa não é nada difícil perceber que curitibanos são bem mais normais que paulistanos.
Folha - Qual a sua relação com a cidade?
Rita - Não tenho boa memória para lembrar dos lugares onde já fiz shows, mas em Curitiba tudo sempre foi marcante. Parece nhém-nhém-nhém da minha parte encher a bola dos paranaenses, mas me simpatizo muito com todo o Estado do Paraná, ainda mais depois que o Lerner demonstrou ao Brasil que nem todo político tem cara de bandido.
Mauro FrassonA escritora Alice Ruiz, recostada em um ipê amarelo, diz que ser normal em Curitiba ‘‘é falar mal da cidade’’
Folha - Você acredita que Curitiba seja ‘‘mais normal’’ que outras capitais brasileiras?
Rita - Dentro de uma normalidade de Primeiro Mundo, eu diria que Curitiba é a nossa mais completa tradução. Tem vampiros, poetas, artistas, poloneses, gente loirinha, teatros, hospitais, jogos ecológicos e quase nenhum pixe nas paredes.
Folha - Porque estrear a turnê em Curitiba?
Rita - Dois lugares me dão sorte em estréias: Curitiba e Belo Horizonte. Pretendo continuar com esta tradição
Folha - Você tem amigos aqui?
Rita - Tenho bons amigos por aí, além de uma parte da família, por parte de pai, também habitar o pedaço. Uma outra curiosidade que me uniu ainda mais a vocês é o fato do Roberto (de Carvalho) ser tataraneto do Conselheiro Zacharias de Goes Vasconcelos, o fundador e primeiro presidente da província do Paraná.
Mauro FrassonO escritor Cristovão Tezza lembra Caetano Velozo e afirma que ‘‘de perto, ninguém é normal’’
Folha - Está em seus planos morar aqui?
Rita - Gostaria muito de passar um tempo aí, sentindo mais de perto o que seria mesmo ser normal. O Paraná tem belíssimas tradições indígenas e européias, uma salada para santa nenhuma deixar de meditar
Folha - O que é ser ‘‘normal em Curitiba’’?
Rita - ...Normal é o Parque Barigui, impecável e tranquilo, e não o imundo e violento Ibirapuera... Normal é construir teatros, planejar áreas de lazer, conservar tradições sem deixar de abrir espaço para o futuro. Em Sampa as grandes obras são as derrubadas de antigos casarões para fazer estacionamento para carros... Normal é não sabotar a qualidade de vida em nome de um progresso que nunca existe...
SERVIÇO - O show acontece no dia 19 de setembro, na Fórum (Rua João Palomeque, 80, fone 347-4000). Ingressos a R$ 20,00 se comprados antecipadamente.Simone Mattos
‘‘Quero o essencial da vida, quero ser normal em Curitiba’’. Com este refrão, a cantora Rita Lee vai abrir na cidade a turnê nacional de seu novo disco, ‘‘Santa Rita de Sampa’’, na próxima semana. A música ‘‘Normal em Curitiba’’, que já é sucesso nas rádios de todo o Brasil, criou uma polêmica entre os curitibanos: ‘‘Afinal, o que é ser normal em Curitiba?’’

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