Curitiba - Equilíbrio, agilidade, não ter medo de cair e muita paciência. São estes os requisitos mínimos para quem quer se transformar em um grande skatista. Medo, na verdade, quase todos têm, e tombos são inevitáveis, mas não chegam a afastar àqueles que realmente gostam do esporte.
  ‘‘Eu tenho medo de me machucar, mas acho que levo jeito’’, diz Luã Fernandes da Silva, 11 anos, que há pouco mais de um ano ‘‘brinca’’ com o skate e há dois meses freqüenta a oficina ‘‘De Skate para o Futuro’’. Luã tem em quem se inspirar, e sonha em seguir o mesmo caminho do primo, Heverton de Freitas, 17,
bi-campeão do Circuito Brasileiro de Skate Amador, nos anos de 2004 e 2005.
  Por enquanto, ele é um dos alunos que mais se destacam e já se prepara para participar de seu primeiro campeonato, na categoria das crianças. ‘‘Estou aprendendo manobras, agora estou tentando fazer um
fleep’’, conta.
  Mesmo sendo iniciante, Luã já tem fãs. O pequeno Gustavo Henrique Tenório, 8, tenta copiar suas manobras. ‘‘Já consigo subir a rampa, mas, às vezes, ainda caio’’, diz ele, que ainda está aprendendo a ‘‘dar um ollie’’, a manobra mais básica do skate. ‘‘O Luã é como se fosse meu professor’’, diz Ricardo Matias Cardoso, 12, que já acha que o mais difícil é fazer uma manobra depois de descer a rampa.
  Cada um com suas dificuldades, quando Heverton ‘‘dá uma canja’’ e vai até a escolinha com seu pai, as crianças não conseguem desgrudar os olhos dele. Não são só as manobras que as impressionam, mas também o estilo de vida que o rapaz, 17, conquistou. ‘‘Comecei a andar há quatro anos, com um skate emprestado do meu vizinho. Eu vi o skate e gostei de cara, nunca tinha visto outras pessoas andando’’, conta. O primeiro skate foi presente do pai, Elói Roberto de Freitas, que comprou o brinquedo com vales-transporte.
  No começo, Heverton e os amigos improvisavam uma pista no bairro. ‘‘Fizemos uma vaquinha e compramos um ferro que soldamos na calçada. Fizemos um caixote de madeira e corrimãos’’, conta. Hoje, o bi-campeã do Circuito Brasileiro de Skate Amador vive do esporte. Com o patrocínio das marcas Footspider e Anjuus, recebe salário, tênis e roupas à vontade, e prepara-se para viajar para os Estados Unidos este ano.
  Na ‘‘gringa’’, como eles chamam, ele quer participar de capeonatos, mas principalmente de muitas filmagens para marcas de skate. É que lá, segundo ele, o maior ganho dos atletas vem de filmagens. As empresas produzem filmes nas ruas com atletas usando suas marcas. Depois, é renda certa. ‘‘É difícil ter patrocínio bom no Brasil’’, diz.
  Quem pensa que skate é brincadeira de menino está enganado. Beatriz Chimanski da Silva, 13, de Paranaguá, está seguindo o mesmo caminho de Heverton. Com dois anos no esporte, ele já é bi-campeã do Circuito Litoral de Skate Amador em 2004 e 2005, ficou em 3ªlugar na categoria feminino no Circuito Drop Dead Skate Park 2005, e deixou muito guri para trás, como campeã do Circuito ASKL 2005, em Londrina.
  Com esse desempenho,
não apenas conseguiu patrocinadores, como também quase tornou-se artista. Ela foi convidada para participar da novela Malhação, da Rede Globo, para fazer papel de uma skatista junto com outros artistas já conhecidos, mas não pôde participar porque ainda não tinha 14 anos. ‘‘Quem sabe ainda
me chamam’’, diz.

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