Separatismo faz surgir lideranças
Arquivo FolhaOURO VERDEO Norte do Estado começou a se afirmar politicamente nos rastro do surto de desenvolvimento provocado pela cafeicultura. Os anos 50 e 60 são relembrados como incríveis. Noites animadas, muito dinheiro em circulação. O aeroporto de Londrina era o terceiro mais movimentado no País. As grandes geadas de 62 e, principalmente, de 75, fecharam um ciclo. A soja ganhou espaço nas propriedadesA ‘Marcha da Produção’, apesar de contida de modo até autoritário pelo Governo Federal, deixa evidente o amadurecimento político do Norte do Paraná que começa a pressionar no sentido de ser melhor atendido em suas justas reivindicações.
Exacerbava-se, no final dos anos 50, a divisão do Paraná. O Norte, que havia explodido em poucas décadas, que surgira em função de um trabalho heróico dos chamados pioneiros, sentia a falta de apoio efetivo das lideranças estaduais. A falta de estradas, a precariedade das comunicações isolava mesmo a região que se sentia mais ligada a São Paulo que ao sul do Estado. Havia até quem falasse em separatismo, tese que encontrava eco nas discussões mais acirradas diante da ‘falta de apoio’ do Governo do Estado às necessidades do Interior.
Paralelamente, o vazio deixado pelos anos de ditadura começa a ser preenchido com o surgimento de novas lideranças políticas. Entre elas, surgem Ney Braga, genro de Bento Munhoz da Rocha Neto, e Abilon de Souza Naves. Ney faz uma carreira impressionante. Chefe de Polícia (o equivalente, na época, ao Secretário de Segurança de hoje), ele se elege prefeito de Curitiba e surge, desde logo, como um forte candidato ao Governo do Estado. Seu maior adversário é Abilon de Souza Naves, senador, eleito pelo PTB, com grande trânsito em todo o Paraná. O suplente de Souza Naves é Nelson Maculan, uma liderança que surge em Londrina, abrindo o caminho para a futura escalada do Norte do Paraná em busca de espaço político no Estado.
A morte de Souza Naves, em dezembro de 1959, vítima de problemas cardíacos, muda o panorama sucessório. Nelson Maculan assume a vaga de Souza Naves no Senado e herda, também, a candidatura ao Governo do Estado. Com o situacionismo desmoralizado, a luta fica quase que restrita a Ney Braga e Nelson Maculan, quase que um confronto ‘norte-sul’. Ney ganhou. E deixando evidente a habilidade política da nova liderança que surgia no Estado, iniciou um trabalho importante de integração do Estado. Concluiu a Estrada do Café, rodovia que permite a ligação real entre a região norte e o sul, facilitando o acesso da produção ao Porto de Paranaguá e aos centros de consumo.
Une a ele numerosas lideranças jovens que foram surgindo e acabaram recebendo, na época, o nome de ‘Ney-boys’ que iriam ocupar, ao longo dos anos seguintes, posições importantes na vida política do Estado e da nação.

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