SENTIDOS DE CURITIBA: VISÃO - Num piscar de olhos
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 27 de março de 2008
Luiza Xavier<br>Equipe da Folha 
Os olhos são chamados de janelas da alma e não é difícl compreender o porquê. O que nosso olhar captura é imediatamente registrado pelo cérebro o verdadeiro órgão responsável pelo sentido da visão o que nos faz experimentar sentimentos diversos.
Uma bela imagem pode nos levar a sorrir de satisfação ou chorar de emoção. Talvez venha daí outra expressão relacionada à visão: o que os olhos não vêem o coração não sente. E o que sentimos quando paramos para ver, com atenção, a cidade em que vivemos, ou onde estamos apenas de passagem?
No último dia da série de reportagens da Folha Curitiba em homenagem aos 315 anos de fundação da Capital, comemorados amanhã, perguntamos a fotógrafos - três da redação, Letícia Moreira, Marcos Borges e Mauro Frasson, e dois convidados, Cybelle Godoy e Felipe Prando - qual a visão que eles têm da cidade. O resultado, que pode ser considerado surpreendente, revela cenas de uma Curitiba muito particular. Por isso mesmo, especial. Mais uma prova de que, felizmente, os seres humanos são capazes de enxergar e expressar opiniões diferentes ainda que todos estejam olhando para o mesmo lugar.
Através das lentes, a fotógrafa Letícia Moreira, 24 anos, enxergou no cemitério do Pilarzinho detalhes que, certamente, passam despercebidos para a maioria das pessoas que passam pelo local. Fiquei sensibilizada quando revelei o filme e vi essa imagem. Descobri algo diferente do que tinha fotografado, conta ela, referindo-se à imagem que lembra Jesus Cristo oferecendo flores sobre uma lápide. Uma parte da cidade que remete à reverência com que os curitibanos homenageiam seus mortos.
A foto, produzida em 2004, faz parte do livro Recortes - Crônicas de Curitiba editado como trabalho de conclusão do curso de jornalismo da Pontifícia Universidade Católica (PUCPR). Na época, as máquinas digitais não eram tão popularizadas e Letícia capturou várias cenas da Capital usando rolos de filme preto e branco, o que garantiu um olhar difereciado sobre os locais.
Acho que quem trabalha com fotografia já tem, normalmente, uma visão diferente. Antes, eu nunca havia pensado em fotografar cemitérios, por exemplo. E trabalhar com filme era bem interessante. O fotógrafo era o último a ver a foto e a revelação sempre trazia surpresas, ressalta Letícia Moreira, natural de São Mateus do Sul e morando em Curitiba desde 2000.
A cidade que, cada vez mais, assume ares de grande metrópole festejando as vantagens e carregando os problemas inerentes a esta situação continua surpreendendo quem vem de longe.
A visão do alto é fantástica. Os prédios, muito altos, dão a dimensão da grandeza do lugar. Fiquei surpreso logo que cheguei, recorda-se o fotógrafo Marcos Borges, londrinense que estava morando em Ponta Grossa, nos Campos Gerais, antes de mudar-se para a Região Metropolitana de Curitiba, em 2006.


