Preocupar-se com a formação da personalidade e do caráter do filho não significa, necessariamente, que os pais devem correr para arrancar os jovens da frente do computador. Como lembra a pedagoga Rozane Cristina Ferreira Gomes, atividades de cunho essencialmente cognitivo como jogos eletrônicos e bate-papos na internet são ferramentas importantíssimas para a formação educacional. A ressalva vem justamente dentro deste contexto: para ter senso crítico e saber o que pode ou não ser absorvido como informação, nada melhor do que a convivência com amigos, pais e a prática de tarefas cotidianas e corriqueiras.
''Não se pode simplesmente abrir mão de recursos tecnológicos ou amenizar a carga de estudos dos jovens simplesmente porque eles precisam de mais tempo para o dia-a-dia. A realidade social não é assim e eles têm que se adaptar'', argumenta a pedagoga. ''No entanto, é óbvio que o senso crítico precisa igualmente ser desenvolvido e para isso, nada melhor do que conviver com os pais e amigos, realizando atividades simples e comuns'', completa.
Para Rozane, tanto as atividades cognitivas quanto as motoras são altamente válidas para a educação e caráter dos jovens, desde que sejam ministradas com o mesmo peso. ''Ferramentas como o computador são grandes instrumentos de acesso à informação e uma forma de aproximar o jovem da cultura, já que oferecem uma linguagem atrativa e interativa. Não se pode abrir mão de um recurso assim. O que deve ser evitado é a exposição aleatória ao conteúdo, nem sempre válido, que instrumentos como a internet disponibilizam'', explica.
Que o computador oferece uma atividade muito mais atrativa do que a louça suja em cima da pia, ninguém duvida. Neste caso, como tornar as atividades cotidianas tão interessantes quando um jogo virtual? ''Não é recompensando financeiramente um adolescente que um pai vai conseguir envolvê-lo com uma atividade. O desafio é fazer com que o filho perceba a importância da cooperação e da participação no ambiente familiar''.(A.M.)

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