o ano é o de 1691, em Massachussets, nos Estados Unidos. O fato, o voto estendido às mulheres. Marco inicial de toda uma trajetória, aquele ano é considerado pela Unesco como um dos mais importantes para a história da liberação das mulheres em todo o mundo. Uma história de passos lentos, mas importantes.
Somente 100 anos depois, um outro episódio, desta vez na França, marcou definitivamente a mudança. Com o pseudônimo de Olympe de Gouges, Marie Gouze reclamou não só o direito de votar, como também muitos outros. Foi presa e guilhotinada, acusada de ter esquecido as virtudes de seu sexo e de se intrometer nos assuntos da República.
O jornal ‘‘Le Moniteur’’, de 19 de novembro de 1791 advertia os franceses com a frase ‘‘Ela quis ser homem de Estado e a lei puniu essa conspiradora por ter esquecido as virtudes que convêm ao seu sexo’’.
Só algum tempo depois, é que o Brasil começou finalmente a participar do movimento que então ganhava proporções cada vez maiores. A participação feminina no exercício da cidadania teve início com a professora Nísia Floresta Brasileira Augusta. Audaciosamente, ela traduz o livro intitulado ‘‘Em Defesa da Mulher’’, publicado pela escritora Mary Woolstonecraft, em 1792, na Inglaterra. Estimulando as idéias emancipacionistas, a obra afirmava que só a educação e o voto poderiam conduzir a mulher à liberdade e mais, que mantê-la marginalizada significaria o mesmo que manter toda a humanidade em atraso.
O resultado foi um processo que, em 1932, fez com que a Lei Eleitoral assegurasse o voto às mulheres. E no ano seguinte, Carlota Pereira Queiroz era eleita como a única mulher entre 214 deputados.
‘‘Eu sonho com uma sociedade onde um dos pais possa ficar em casa durante meio expediente, até que os filhos completem sete anos’’, salienta Fani LernerHoje, passados quase 67 anos, a história é bem diferente. As mulheres começam a assumir novos postos na política do País, mostrando tanta eficiência quanto os homens. Preconceitos existem, mas nada que não possa ser resolvido com a tradicional sensibilidade feminina.Fotos: Mauro Frasson‘‘Enxergamos mais o individual, enquanto o homem pensa no genérico’’, diz a vice-governadora Emília BelinatiVivian de Albuquerque

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