Criado há cerca de 60 anos, o Patrimônio Selva abriga atualmente diversos pioneiros e pioneiras. Um exemplo é a dona de casa Alice Menegazze Serra, 70 anos, irmã do dentista João Antonio, única da família que permanece no distrito. Como o filho fica mais em Londrina, ela praticamente mora sozinha desde a morte do marido Ernesto em acidente automobilístico em 1998. ''Os filhos insistem para que eu vá morar na cidade, mas eu prefiro ficar aqui mesmo'', afirma.
A rotina de Alice é bastante tradicional. Cuida da casa e da criação de galinhas e pouco sai do patrimônio para ir à cidade, já que recebe visita da família todos os fins de semana. Ela garante ainda que não tem medo de viver sozinha no sítio, chamado Nossa Senhora do Desterro. ''Graças a Deus, nunca teve ladrão aqui. Confio muito em Deus. E mesmo se tiver dez pessoas na casa, se tiver de ser assaltada, vai ser. A companhia de Deus é a maior segurança'', declara.
Outra pioneira é Ida Vestin Mouro, 69, que vive no Selva desde 1946. Com a vida dedicada ao trabalho na lavoura, ao lado do marido Vergílio e dos filhos, ela recorda do início da vida na nova terra. ''Só tinha uma vendinha aqui no começo. Antes, era tudo café. Na nossa lavoura, sempre teve bastante trabalho, para a família inteira'', garante.
Ida também recorda-se que, apesar do trabalho duro, a vida no patrimônio sempre reservou espaço para o lazer e as festividades. ''Era uma grande reunião de amigos nas festas da Igreja. Hoje, não participo mais por problemas de saúde'', declara. A pioneira, no entanto, tem uma queixa sobre a situação atual dos pequenos agricultores. Segundo ela, o pai dela conseguia, com lavoura de oito alqueires, sustentar a família. Atualmente, o cultivo de 70 alqueires de soja e milhos é ''quase insuficiente'' para manter o nível de qualidade de vida. ''É uma pena, mas o povo do sítio, que produz, não é valorizado como antigamente'', lamenta.

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