Sem tempo, mas com dinheiro
Já faz algum tempo que a prestação de serviços de forma personalizada tornou-se um filão bem explorado pelo mercado. Os ''personals'', como são chamados esses profissionais, desenvolvem uma linha de trabalho feita especialmente para cada cliente. Seus préstimos vão desde o condicionamento físico, até a companhia para ir ao cinema, passando pelo corte de cabelo e pela escolha do guarda-roupa.
Segundo o consultor de empresas e professor da Fundação Getúlio Vargas de Curitiba, Luciano Salamancha, essa demanda se deve ao ritmo acelerado em que vivemos hoje. ''A equação é a seguinte: se existe ausência de tempo e o custo desse tempo é alto, então é melhor remunerar um especialista que vai prestar esse serviço no seu tempo disponível'', explica.
Letícia Moreira
Personal trainer cobra R$ 400/mês
Um dos tipos mais conhecidos desses profissionais são os personal trainers, uma especialidade da educação física que já conta até memso com curso de pós-graduação. O trabalho desses profissionais consiste em elaborar e acompanhar séries de exercícios específicos
para os objetivos de cada cliente.
Há cinco anos Silvana Dias trocou as aulas de ginástica em grupo para ser personal trainer. Segundo ela, a maioria das pessoas que procura esse serviço não tem disciplina para fazer exercícios sozinhos.
Tem cliente que me pede para acordá-lo, conta. Geralmente são cobrados pacotes com um número definido de horas/aula semanais. Um dos mais econômicos, com 12 horas semanais sai, em média, R$ 400 por mês. Na maioria dos casos, além do personal, é preciso pagar uma academia para usar os equipamentos necessários para as atividades.
Personal stylist vale R$ 70/hora
Outro profissional que vêm se tornando cada vez mais presente é o personal stylist, que ajuda o cliente na construção de sua imagem pessoal. Segundo a estilista Iara Siviero, dona da loja Conbase, nesse filão, o que os clientes procuram é a praticidade. Conheço uma médica que não tinha tempo para escolher o figurino e que queria tudo pronto, conta. O trabalho desenvolvido por ela tem uma seqüência. Primeiro organiza o guarda-roupa da cliente (só atende mulheres). Nesse processo, segundo ela, cerca de 20% das roupas acabam sendo vetadas. Vejo o que ela quer e o que ela precisa, conta. Depois disso, Iara faz com que elas vejam as roupas de outra forma, despertando a criatividade e realçando o estilo de cada cliente. É como uma moldura em uma pintura, eu realço o que ela é, compara. Em geral suas clientes são profissionais que viveram recentemente uma ascenção social e desejam estar vestidas de acordo com essa nova posição. O custo de um personal stylist varia bastante, Iara cobra R$ 70 por hora de trabalho, mas confessa que outros profissionais que se dedicam somente a esse serviço cobram mais.
Personal hair é um psicólogo
Para completar o visual, existe também o personal hair (cabeleireiro pessoal). Há dez anos Carlos Motta abandonou a profissão de economista para dedicar-se à atividade. Depois de trabalhar como cabeleireiro tradicional em um salão, hoje ele desenvolve um serviço diferenciado voltado para as necessidades e peculiaridades de cada penteado.
Além dos serviços tradicionais de beleza, ele ensina suas clientes a gostarem e cuidarem do próprio cabelo. Em uma primeira entrevista ele avalia a habilidade de cada uma com o secador, escova e pente e desenvolve um corte que possa ser mantido com facilidade. Segundo ele, a diferença entre um personal hair e um cabeleireiro de um grande salão é que o primeiro entende melhor suas clientes. É até um pouco psicólogo, converso de tudo com elas, menos de assuntos deprê, conta. Carlos também ensina aos seus fregueses quais cremes e shampoos são mais adequados para cada tipo de cabelo. Ele não trabalha com tabela de preços, mas garante que seus valores são mais em conta do que os praticados em um salão de classe média alta. (A.A.)





