Sem perder a capacidade de sonhar
Rebeca Marchezoni Alho da Silva, então com 23 anos de idade, estava prestes a se casar. Inseparáveis desde a adolescência, Rebeca e o noivo, Eduardo, formavam, para muitos, o ''casal perfeito''. Vítima de um acidente, Eduardo faleceu meses antes do casamento. ''Namorei o Dú por sete anos e meio. Estava noiva e tínhamos planos de casamento para setembro do ano passado, o ano em que tudo mudou''.
Ao relembrar o acontecimento que alterou sua trajetória de vida, Rebeca emociona-se. ''Os primeiros meses após o ocorrido foram de adaptação. Precisei me adequar à nova vida sem o Dú. Foi uma fase muito difícil porque não sabia ir à esquina sem tê-lo ao meu lado. Mas, ao mesmo tempo, não foi a fase mais difícil porque tive muitos amigos que, literalmente, me carregaram no colo e, depois, me ajudaram a voltar a caminhar com as próprias pernas''.
O período mais penoso para Rebeca, hoje com 25 anos, deu-se meses após a perda do noivo. ''Por muitos momentos quis estar com ele, a saudade é absurda, é muito difícil. Muitas coisas deixaram de ter graça sem ele. Mas, apesar disso, sabendo que não era possível, nunca quis desistir porque sabia que não adiantaria nada, que tudo continuaria como estava e pessoas que se importam comigo sofreriam muito'', ressalta.
Seguir adiante - Apegada a Deus, Rebeca decidiu seguir adiante. ''Deixei de acreditar em muitos sonhos que, em decorrência da circunstância, não poderiam acontecer, tais como a vida e a rotina de casada, nossos campeonatos de hipismo, nossos filhos. Entretanto, não parei de sonhar. Hoje, sonho com coisas diferentes. Minhas prioridades mudaram, mas continuo sonhando''.
Os esforços, o encarar a vida de forma positiva e ações no mesmo sentido fizeram da advogada londrinense uma vencedora, para muitos que compartilham de sua amizade. Rebeca foi aprovada no exame para a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em sua primeira tentativa, trabalha com o juiz na 8 Vara Cível de Londrina e, ''se tudo der certo'', será conciliadora do Juizado Especial Cível nos próximos dias.
Afora as atividades profissionais, Rebeca dedica-se a um cursinho para prestar concursos públicos, à uma pós-graduação e, diariamente, mantém uma rotina de estudos. ''Hoje, meus objetivos são, em primeiro lugar, profissionais. Dedico-me muito à minha carreira: estabeleço uma meta e luto para alcançá-la''.
Pensar e agir - Reflexiva em relação a tudo que viveu e a como, graças a suas atitudes, conseguiu se reerguer e traçar novos caminhos, a advogada londrinense, que já foi amazona - hoje, acompanha, nos fins de semana, as competições de hipismo das quais alunos da escola de propriedade de sua família participam - aponta para além do pensamento. ''Acredito que, mais do que pensar, é preciso agir. Porém, antes de pôr em prática essa ação, devemos pensar, e muito. Nossas atitudes determinam os resultados''.
Focada na esfera profissional, Rebeca não desistiu de refazer a vida pessoal. ''Até isso Deus com certeza preparou para mim, colocando em minha vida uma pessoa muito especial e com objetivos muito parecidos com os meus, muito compreensível com tudo o que sucedeu em minha vida. Isso me dá ainda mais força para lutar. Acredito positivamente no meu sucesso profissional e pessoal''.(T.N.)
Resiliência: algumas dicas
Na entrevista à FOLHA, A psicóloga Elsie Silva elencou alguns passos que, se postos em prática, fazem com que a pessoa se torne resiliente, conseguindo prosseguir ante situações mais difíceis como morte, doenças, demissões e pressões diárias.
Primeiro: É importante ter ao lado alguém que estimule e incentive esse comportamento positivo. Não somente familiares, mas amigos também têm papel importante nesse momento, estendendo a mão.
Segundo: Traçar metas. Ter objetivos se faz necessário, direcionar a energia para algum campo.
Terceiro: Ter boa auto-estima, senso de humor e saber sorrir. A pessoa tem de acreditar em si mesma.
Quarto: Acreditar que tudo na vida são fases e etapas. (T.N.)





