Sem paz dentro da própria casa
Lidar com vizinhança nada amistosa é rotina no edifício onde mora a professora R.O., 42 anos, no Portão. "Me dá mais calafrios entrar na garagem do meu prédio do que andar nas ruas à noite. Subo as escadas correndo para chegar logo em casa", desabafa ela, que preferiu não ter seu nome divulgado na Reportagem. R.O. conta que precisa retirar a antena do carro, todos os dias, para que não seja roubada novamente na garagem. "Teve morador que teve o carro todo depenado. O condomínio se juntou para pagar o prejuízo dele, que viajou e deixou o carro no prédio. Aos poucos, foram roubando os acessórios do automóvel e a gasolina", conta.
Segundo R.O., os moradores desconfiam de um dos moradores antigos, que teria uma postura arrogante e até violenta. Nas reuniões do condomínio ele já teria feito fez vários barracos. "Ele já chegou a atirar na garagem do prédio uma vez de madrugada porque ele achava que tinha entrado alguém. Imagine que é meu vizinho da frente, e nunca me cumprimentou. Moro no prédio há 24 anos. Outros moradores também não entendem a atitude dele, que faz questão de boicotar tudo que fazemos no prédio", reclama R.O..
Outra moradora do prédio, que também preferiu não se identificar, disse que a situação chega a ser constrangedora. "Suspeitamos que esse vizinho venha fazendo isso, porque não acredito que pessoas estranhas entrem no nosso edifício. Me pergunto por que ele faria isso e não acho respostas. Mas há alguém que está sabotando até pequenas coisas do condomínio, como não separar o lixo orgânico do reciclável, deixar o portão aberto, danificar o sistema de iluminação e de alarme", informou ela.
Os condôminos já buscaram vários meios para identificar quem vem apresentando os "maus costumes", como instalar câmeras na garagem. Mas o alto investimento pode não ter retorno, já que todos os moradores saberão da medida. "Quem dera que os nossos problemas de convivência fossem apenas relacionados ao som alto do vizinho. Já tive meu apartamento assaltado duas vezes, assim como outros moradores. A polícia nunca encontrou indícios de que o ladrão tenha entrado no prédio. Ele só sai do prédio", afirma R.O. (F.G.)





