Sem internet por opção
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 14 de março de 2007
Denise Ribeiro<br> Equipe da Folha 
Para a geração que cresceu junto com a internet e teve oportunidade de acesso ao mundo virtual, estar conectado faz parte da rotina. É difícil encontrar alguém que tem computador em casa mas prefere não interagir com o universo digital. É o caso de Elisa Kretzer, 27 anos, dentista. Ela nunca se correspondeu por e-mail e até cerca de duas semanas atrás não sabia o que era o YouTube, site que ganhou repercussão na imprensa nacional recentemente. A página chegou a ter o acesso bloqueado por causa de um processo movido pela apresentadora de televisão Daniella Cicarelli para proibir a exibição de um vídeo com cenas íntimas entre ela e o namorado em uma praia da Espanha. ''Acho muito chato ter que ligar o computador para falar com alguém se posso falar por telefone ou pessoalmente. E para pesquisar, prefiro os livros. Não é aversão, é falta de interesse mesmo. Não tenho curiosidade'', explica Elisa. ''Outra coisa é o tempo, quando chego em casa estou supercansada e a última coisa que eu pensaria em fazer é ligar o computador. Prefiro aproveitar meu tempo livre na academia, vendo um filme ou lendo um livro'', completa.
Rodrigo Calo Silva, 27, também prefere dedicar-se a ''atividades que nada têm a ver com o mundo virtual'', como estudar violão e praticar capoeira. Um amigo chegou a criar um e-mail para ele há alguns anos, que acabou desativado por falta de uso. ''Cancelaram porque não recebia nem mandava mensagem'', conta.
No ano passado, as amigas de Elisa também criaram um e-mail para ela. ''Entraram se passando por mim e foi de parar o trânsito: 'O quê? A Elisa no computador!''', lembra. Mas o incentivo não deu certo. ''Hoje todo mundo marca as coisas por internet e pra mim eles têm que ligar. Já aconteceu de rolar um encontro e não conseguirem me avisar. Mas não me sinto mal por causa disso. Para coisas importantes sempre conseguem me achar'', avalia.
Já Rodrigo se viu obrigado a render-se ao e-mail há um ano por causa do curso de pós-graduação. ''Os professores mandam os textos por e-mail e pedem para entregar os trabalhos assim também. Não fosse isso eu realmente ia continuar na minha, frequentando biblioteca em vez de lan house'', afirma.
No Brasil, 30 milhões de pessoas têm computador em casa, das quais 20 milhões têm acesso à internet, segundo um levantamento realizado em julho e agosto do ano passado pelo Comitê Gestor de Internet, do Ministério da Ciência e Tecnologia. O levantamento identificou ainda que 84 milhões de brasileiros nunca usaram um computador. A pesquisa aponta que as desigualdades sociais são um fator determinante para que a grande maioria da população não tenha acesso à internet. Mas constata também que em 2006 houve um aumento de mais de 4,5 milhões no número de casas com computador em relação a 2005.


