A perspectiva dos moradores do Morro do Carrapato sobre o próprio futuro, conforme a amostragem consultada pela FOLHA, é pouco otimista. É interessante notar que mesmo quem recebe benefícios do governo não acredita em grandes mudanças em suas condições de vida, talvez porque o modelo de transferência de renda não privilegie a autonomia dos cidadãos.
''Na nossa idade não se consegue mais mudar de vida. Só se ganhasse na loteria'', diz o catador de papel Adriano dos Santos Cunha, do alto de seus... 28 anos. ''Sempre vivemos assim, no limite. Para melhorar mesmo, só se o governo arrumasse emprego com salário bom para quem tem menos estudo'', opina o carroceiro Lindomar Crispim de Lima, 30 anos, que vive com mulher e dois filhos. ''Melhorar mesmo, não vai. A única coisa é sobreviver'', resigna-se o também catador de papel Leandro Bruno, 23 anos, pai de um recém-nascido.
A falta de estrutura do lugar onde moram colabora para a sensação de miséria e desesperança. O desempregado Cristiano Aparecido Azevedo, 34 anos, relata que se sente deprimido por viver em condições tão precárias. ''O problema é o lugar. Não tem um endereço, não tem um CEP de rua para informar quando a gente vai procurar emprego. A água e a luz são clandestinas. Isso tudo contribui para a baixa auto-estima'', enfatiza.

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