Sem articulação, restaurantes desperdiçam alimentos
Se houvesse uma instituição capaz de articular a redistribuição de alimentos que sobram em restaurantes e similares, a arrecadação poderia beneficiar, com segurança, inúmeras entidades que prestam assistência a idosos ou populações carentes. Ao mesmo tempo, se o destino do lixo desses estabelecimentos seguisse um planejamento unificado, boa parte poderia ser reaproveitada e reciclada.
Essas são, em síntese, as conclusões do estudo ''Aproveitamento de subprodutos de restaurantes de Londrina'', apresentado na disciplina ''Valorização de Resíduos na Indústria de Alimentos'', do curso de Mestrado e Doutorado em Ciências e Alimentos da Universidade Estadual de Londrina (UEL).
Elaborado pelas alunas Ana Paula Bilck, Dani Luci Doro, Giselle Nobre Costa e Vera de Toledo Benassi, o documento cita o exemplo do ''Programa Mesa São Paulo'', realizado na capital paulista por meio de uma parceria entre o Sesc, os restaurantes e as entidades assistenciais. A intermediação de uma entidade reconhecida é necessária para reduzir as resistências por parte dos comerciantes.
Sem deixar sobras
''Um dos principais problemas hoje é que os restaurantes são responsáveis legais se algo acontecer com o alimento, então, em vez de correr o risco, muitos preferem dispensar. Mas, com uma instituição que tenha conhecimento na área de nutrição, não haveria problema'', explica Vera Benassi - que é pesquisadora da Embrapa/Soja.
As pesquisadoras acreditam que, se houvesse organização por parte do setor, os restaurantes também poderiam repassar outros tipos de sobras para ração animal, induzir a compostagem do lixo orgânico (transformação em adubo), reutilizar o óleo de fritura, além de dar o destino correto a embalagens e produtos descartáveis. Segundo o estudo, Londrina tem 188 restaurantes e casas de massa ''que não possuem registro do volume de resíduos gerados - orgânicos e inorgânicos''.
A professora responsável pela disciplina, Sandra Garcia, acredita que a lógica da reciclagem segue a lei do mercado. ''Só se recolhe o que dá retorno''. Dentre os resíduos de restaurantes, o alumínio é o mais nobre e praticamente o único que é 100% reciclado.
Programa de bar
Na mesma linha da proposta das pesquisadoras, a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) está lançando um programa direcionado à reciclagem de óleo de cozinha. O programa tem parceria com diversos órgãos governamentais e com uma empresa particular da região de Curitiba, que fará a transformação do óleo usado em sabão.
De acordo com o representante local da Abrasel, Arnaldo Falanca, o sistema é simples. ''Queremos envolver nossos 50 associados. Cada um deve ter uma bomba no seu estabelecimento para ir juntando o óleo até chegar a 100 litros. A gente vai trocar. A cada entrega, recebemos um pouco de sabão também - 5 ou 10 litros, dependendo do tipo de sabão'', afirmou.
Falanca explicou que alguns restaurantes já fazem a transformação do óleo em sabão de forma independente. ''Com o projeto vai ficar melhor porque o manuseio da soda cáustica sempre causa risco'', comenta, em referência a um dos insumos do processo.
O lançamento oficial do programa ''Prove'' será feito no próximo dia 8, na praça da Bandeira, na região central.(F.C.)
Serviço
Mais informações:
www.tetrapak.com.br
www.abrasellondrina.com.br





