SEM ARREPENDIMENTO - Profissionais deixam carreira e optam pela maternidade
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sábado, 13 de maio de 2006
Fernanda Borges<br>Reportagem Local 
Cinco anos de estudo, dez de profissão, um ano dedicado à especialização, consultório equipado e vários clientes. Nem o imenso prazer de atuar na carreira de dentista fez com que Adriana Tudela Puzzo mudasse de idéia. ''Sempre amei o que fiz, adoro minha profissão. Sofri para tomar essa decisão, mas agora eu quero cuidar dos meus filhos, ficar com eles, vê-los crescer'', diz.
Moradora de Maringá, Adriana é mãe de Pedro, 2 anos, e André, 6. Além da preocupação com o tempo que estava perdendo longe dos filhos, a dentista que fechará as portas de seu consultório no próximo dia 30 se sentia muito atarefada e por isso, segundo ela, não conseguia compartilhar com os filhos, momentos importantes de suas vidas.
''Pedro foi internado uma vez com bronquiolite, e uma semana depois, o André teve meningite. Eu tinha que ficar ligando para minha sogra ou minha mãe para que me ajudassem. Hoje eu participo da vida dos dois. Me preocupo muito com a educação deles, com o que vêem na tevê. Juntos, vemos filmes, desenhos e escutamos música. Para mim, o tempo de ficar longe dos meus filhos acabou'', salienta.
Mulheres ativas, que dedicam anos de suas vidas em busca da realização profissional e que não se imaginavam dependentes financeiramente do marido, abrem mão de seus sonhos por causa dos filhos. De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2004, existiam cerca de 48 milhões de mães acima de 15 anos trabalhando no Brasil. Destas, cerca de 27 milhões eram economicamente ativas e 21 milhões não economicamente ativas.
No Paraná, quase 3 milhões de mães trabalhavam, sendo cerca de 1,5 milhão economicamente ativas e 1 milhão não economicamente ativas, ou seja, mulheres que não possuem trabalho fixo, ou atuam na informalidade, ou estão desempregadas, ou ainda as que optaram por não trabalhar, assim como Adriana.
Outro exemplo de amor e dedicação é o caso de Giovana Polimeno dos Santos, mãe de Bruna, 12 anos, portadora de paralisia cerebral. Além de ter abandonado o cargo de supervisora de uma empresa de consórcios em Curitiba, Giovana desistiu da idéia de entrar na faculdade sonho muito almejado por ela para se dedicar à filha. ''Há exatamente 12 anos não trabalho, desde que ela nasceu. Ficamos sabendo que a Bruna seria uma criança especial quando eu ainda estava no 4º mês de gestação, então já me preparei para me dedicar exclusivamente à ela'', diz Giovana.
Bruna possui micro-encefalia, uma doença desenvolvida quando a menina ainda estava no útero de Giovana, que havia adquirido toxoplasmose. A doença não tem cura e a mãe lembra de momentos difíceis vividos pela família quando médicos diziam que a menina teria uma vida vegetativa.
''Graças a Deus ela nasceu bem, tem tido um desenvolvimento muito bom e as crises convulsivas têm diminuído. Eu a acompanho na escola, na fonoaudióloga, não paro, fico o dia todo em função dela. Também estimulo minha filha mais nova, a Ana Carolina, a cuidar da irmã e ela ama muito a Bruna'', explica a mãe.
Giovana diz que, apesar da doença da filha não ter cura, ela acredita que o amor proporcionado pela família e a presença dela nas atividades de Bruna são fatores primordiais para o bom desempenho da menina.
''Sempre fui uma mulher muito ativa. Algumas amigas que trabalharam comigo me ligam e não conseguem acreditar que estou parada até hoje. Ainda penso em fazer uma faculdade, mas agora minha filha precisa de mim e sente minha falta quando não estou por perto'', salienta Giovana.


