Selo verde da construção
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sexta-feira, 26 de outubro de 2012
Marian Trigueiros <br> Reportagem Local 
Obras nas quais foram adotadas técnicas e produtos considerados sustentáveis têm a possibilidade de receber certificação que atestam a responsabilidade ambiental da empresa. Uma das mais utilizadas no Brasil é o selo verde da construção proveniente do Green Building Council (GBCB), que fornece o selo Leed (sigla em inglês que significa Liderança em Energia e Design Ambiental), o qual atesta a preocupação ambiental de edificações e eficiência, de acordo com uma pontuação (40 a 110 pontos) em quatro níveis: básico, silver, gold e platinum.
Segundo o presidente da GBCB, Marcos Casado, para a obtenção do selo é necessário cumprir alguns quesitos de forma a tornar as construções ainda mais eficientes dentro de padrões ecologicamente corretos. ''Para tanto, é preciso que apresentem novas soluções, como processos de economia de energia e utilização de materiais reciclados e sustentáveis'', explica. Segundo ele, estima-se que uma obra sustentável tenha um custo em torno de 1 a 7% maior do que um empreendimento comercial, dependendo do nível de certificação. ''Valor facilmente coberto pelo retorno na redução dos custos operacionais'', destaca.
Além dos benefícios nos custos operacionais, como economia de cerca de 50% no gasto de água e 30% de energia, o diretor destaca que o empreendimento com selo verde traz qualidade de vida, conforto e maior produtividade aos ocupantes da obra, devido ao aumento da luminosidade e diminuição do uso de ar condicionado, por exemplo. ''Há ainda a valorização da marca no mercado e do imóvel, em função dos investimentos e visibilidade decorrente da postura alinhada ao conceito de sustentabilidade'', diz, complementando que, hoje, a maior demanda por produtos movimentou o mercado, aumentando a oferta de produtos e serviços do ramo. Com isso, houve melhora nos níveis de qualificação das certificações.
Leed no Brasil
Atualmente, o Brasil possui 65 empreendimentos já certificados e outros 525 registrados em processo. Em todo Paraná, dois empreedimentos já receberam o selo verde, ambos na cidade de Curitiba, um deles construídos pela Plaenge. Londrina ainda não possui a certificação, mas duas grandes obras estão em processo: o Mercado Palhano, da Raul Fulgêncio Imobiliária, e Palhano Premium, da Vectra Construtora. Ao todo, são 35 empreendimentos aguardando avaliação da entidade em todo Estado.
Esses números somados levam o Brasil à quarta posição no ranking mundial de construções sustentáveis, atrás dos Estados Unidos, China e Emirados Árabes Unidos. O movimento de construção sustentável conta com 90 GBCBs consolidados pelo mundo e a certificação Leed já está presente em 138 países. O diretor estima que cerca de 45% das certificações no Brasil são provenientes de obras comerciais.
Fábrica verde
A Divisão Industrial da Plaenge (Emisa) acaba de receber o selo pela primeira 'fábrica verde' do Brasil, da Matte Leão, localizada na cidade de Curitiba. Em Maringá, por sua vez, a fábrica da Spaipa Coca Cola, também construída pelo grupo, foi executada de acordo com os critérios do selo e está em processo de certificação pela entidade, que avalia os projetos e as obras. Estes, por sua vez, buscaram a racionalização da construção, bem como o reaproveitamento de materiais.
De acordo com Evaldo Fabian, diretor da Emisa, as obras das fábricas foram realizadas com base nos conceitos de sustentabilidade, cujo planejamento levou em conta os princípios da bioarquitetura com o objetivo de causar menos impacto ambiental gerado pelas matérias-primas e desperdício de energia. ''Exemplo são desde os cabos de fiação mais grossos para que não haja tanto aquecimento, luminárias inteligentes, que trabalham de forma a complementar a luminosidade natural do ambiente a torneira com contemporizadores'', exemplifica.



