Selamat pagi! Tiang uling Bali
Barong é o deus que representa o bem para os indonésios (na foto à direita, outra versão)
Fotos de Kraw Penas
Selamat pagi!!! Tiang uling Bali. Kenken kabare? Ragane lakar kija? A língua pode soar muito estranha, mas caso a moda continue crescendo não é de se estranhar que em breve sejam inaugurados cursos intensivos de indonesiano em cada esquina. Exageros à parte, a realidade é que a Indonésia está invadindo Curitiba. Pelo menos uma parcela da sua cultura está: a do artesanato e dos artigos de decoração.
A beleza e o charme puramente exótico dos móveis e peças de decoração made in Indonesia criaram uma febre na cidade, refletindo um fenômeno que já conquistou outras capitais como São Paulo e Porto Alegre. Lojas especializadas neste segmento foram inauguradas recentemente, enquanto as mais tradicionais também aderiram à onda e passaram a incluir artigos indonesianos nas suas prateleiras, desde representações de deuses do bem e do mal até móveis, baús e objetos de decoração como golfinhos e baleias.
A cultura da Indonésia valoriza muito os animais marinhos, que por esse motivo são facilmente encontrados em estátuas de madeira
Um dos países maiores exportadores de artesanato do mundo, a Indonésia é formada por 13.677 ilhas. Bali, com uma cultura bem particular e uma dos locais mais procurados pelos surfistas - a tribo que primeiro divulgou a cultura balinesa -, acabou se tornando a mais conhecida, mas a arte feita à mão lá do outro lado do continente não se resume a ela. A moda dos artigos indonesianos ficou até conhecida como artesanato de Bali, mas, na verdade, todo o país produz belíssimas peças, explica a empresária Edna Mara Muhlenhoff, proprietária da loja especializada Garuda, inaugurada no final do ano passado no Shopping Omar. Criar coisas belas com as próprias mãos faz parte da cultura e religião dos indonesianos. Eles encaram a criação como uma maneira de aperfeiçoar a alma. E isso passa de geração para geração.
A maioria das lojas que oferecem produtos da Indonésia adota a prática de comprar de grandes importadores internacionais. Por isso não é de se entranhar a alta população de golfinhos de madeira e móbiles com peixes, praticamente idênticos, que podem ser achados em diversos endereços comerciais da cidade e até em lojas de produtos para surf. A Garuda, que também tem uma loja em Porto Alegre, adota um sistema diferente, com doses de aventura. Um dos sócios da loja passa de 3 a 5 meses por ano viajando pela Indonésia, navegando em barcos nem sempre muito seguros e descobrindo novos caminhos, conta Edna. Ele aprendeu a falar a língua local e assim faz contato com muitos artesãos que moram isolados em ilhas distantes, garantindo produtos exclusivos.
A gerente administrativa Daniele Pinheiro Machado é uma das fanáticas pelo artesanato indonesiano
Inicialmente os artesãos da Indonésia trabalhavam quase que exclusivamente com motivos religiosos - o culto ao espírito é valorizado de tal maneira que, apenas em Bali, existem mais de 20 mil templos, todos dedicados ao hinduísmo. Com uma maior abertura do país nas últimas décadas, os artesãos passaram a absorver outras influências.
Isso não fez acabar as formas de expressão mais tradicionais, como os deuses em madeira, as formas da lua e do sol e os animais marinhos, mas abriu novas possibilidades para a maestria dos indonesianos em forjar a madeira e outros materiais. Os móveis apresentam vários estilos e são feitos em madeiras nobres como o carvalho e o cedro. Têm grande durabilidade, além de uma beleza exclusiva, completa Silvana Stumm, proprietária da Baliwood Tuan, primeira loja de Curitiba a investir na conexão Brasil-Indonésia. São peças que não ficam bem apenas em casas de praia: podem ser misturadas a estilos de decoração mais sofisticados sem nenhum problema.
Antes de comprar, conheça um pouco mais da língua indonesiana. A tradução do parágrafo inicial é a seguinte: Boa tarde! Eu sou de Bali. Como está você? Aonde você está indo?





