Em Curitiba, foi realizada há dois anos uma aliança com seis organizações não governamentais (ONGs) que trabalham em prol de gays, lésbicas, travestis e garotos de programa. A união integra as ONGs Grupo Dignidade (que luta pelos direitos dos homossexuais e pela prevenção da Aids), Dom da Terra (pela livre orientação sexual e expressão da cultura afro-brasileira), Transgrupo Marcela Prado (para travestis), Artêmis (Associação Paranaense de Lésbicas), Appad (Associação Paranaense da Parada da Diversidade) e Cepac (Centro Paranaense da Cidadania). As ONGs são mantidas por projetos do Governo Estadual e Municipal, e também por doações.
Segundo Márcio Marins, presidente da ONG Dom da Terra, não existe um dado com o número exato de garotos de programa que trabalham na capital. ''O que sabemos é que a maioria é de origem humilde e vem do interior ou da Região Metropolitana de Curitiba'', explica Marins. A aliança não registrou queixas de pessoas que tenham sido agredidas ou roubadas por garotos de programa. O presidente diz que os clientes não reclamam, pois estariam assumindo que utilizam o serviço de profissionais do sexo.
Os garotos de programa utilizam as ONGs para buscar preservativos, que são entregues sem custo. Alguns também solicitam ajuda para voltar para a cidade natal. ''Muitos dos garotos não se expõem, pois durante o dia levam uma vida heterossexual. A maioria diz fazer o trabalho por dinheiro, mas muitos são gays e gostam da vida que levam'', diz Marins.
O uso de drogas entre eles é alto. ''Muitos usam drogas para aguentar trabalhar a noite toda e outros são aliciados por traficantes'', explica o presidente da ONG Dom da Terra. Porém, nem todos os michês usam produtos ilegais nem correm riscos. ''Eles usam muito preservativo, mas alguns clientes oferecem mais dinheiro para não usar a proteção''. (D.C.)

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