A Associação Brasileira de Dekasseguis é categórica: definitivamente agora não é o melhor momento para buscar trabalho no Japão. ''Para quem nunca foi e quer ir pela primeira vez não é uma boa hora, porque vai sofrer todo o impacto de uma mudança de país, cultural, ambiental, climática... E tudo isso em meio a uma crise violenta. A gente tem que fazer experiências quando o vento está a favor. Quando o vento está contra é melhor ficar escondido. Quem já tem experiência no Japão pode conseguir analisar melhor a situação econômica'', comenta o presidente da entidade com sede em Curitiba, Kiyoharu Miike.
Conforme dados da Embaixada Brasileira no Japão, divulgados no final de julho, mais de seis mil brasileiros teriam retornado se beneficiando da ajuda de cerca de US$ 3 mil oferecida pelo governo japonês. Quem aceita esse dinheiro, no entanto, fica proibido de retornar pelos próximos três anos.
Por causa da crise, Miike acredita que até o final do ano vai haver uma redução significativa no número de brasileiros em território japonês. A própria associação sentiu um aumento da procura de descendentes que chegam ao Brasil pedindo auxílio para conseguirem emprego e querendo se reintegrarem socialmente.
Outro indicativo de que a crise no Japão ainda afeta os dekasseguis que lá estão são as remessas de dinheiro de lá para cá. Desde os últimos meses do ano, o total de remessas feitas estão caindo assim como o montante dos valores enviados.
''Depois do estouro da chamada bolha econômica em 1998, o Japão ficou praticamente dez anos em recessão, crescendo pouco ao ano. Desde aquela época, o perfil de remuneração foi se tornando cada vez menor e a competitividade lá ficou cada vez mais acirrada e aquela história da pessoa ir para o Japão, ganhar um monte de dinheiro e voltar ficou para trás.'' (L.A.)

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