Seguro para cães divide opiniões
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segunda-feira, 30 de abril de 2007
André Amorim<br>Equipe da Folha 
Um projeto de lei municipal de autoria do vereador Jorge Bernardi (PDT) está criando polêmica entre os proprietários de cães em Curitiba. Trata-se da obrigatoriedade dos donos de animais ferozes constituírem seguro com cobertura para terceiros. A proposição foi submetida à apreciação da Câmara em meados de abril, mas ainda não foi a plenário. De acordo com o texto, proprietários de cães que tenham índole de fera só poderão circular em locais públicos com o seguro de responsabilidade civil por danos causados a terceiros com cobertura mínima de R$ 30 mil.
A iniciativa divide opiniões entre os proprietários de cães de 13 raças (pitbull, rottweiler, dobermen, staffordshire-terrier, american staffordterrier, staffordshire bullterrier, bulldog, boxer, dog argentino, mastim espanhol, mastim napolitano, fila e pastor alemão) e variações desses animais. A estudante Angélica Flores, que já teve seu schnauzer ferido por um cachorro maior, acha que a medida trará mais segurança. Assim também pensa Josélia Ferreira, para quem a nova lei obrigará os donos a tomarem mais cuidado. Do outro lado, o professor de artes marciais Rafael Cordeiro duvida que a iniciativa seja obedecida. No Brasil não vai pegar, prevê.
O presidente da Associação dos Criadores de Curitiba (Kennel Club), João Igor, não é contra o projeto do vereador, mas acha que o melhor seria uma campanha de conscientização. Como dirigente da entidade, ele aconselha os criadores a contratarem seguros contra terceiros, mas acha a obrigatoriedade complicada. Vai tirar o direito das pessoas mais pobres de terem um cachorro em casa para segurança, avalia.
Desde 1998 criando pitbulls, Nilson César Coelho não concorda com a idéia do vereador. Não vai prevenir um ataque, apenas remediar, observa. Ele não exclui a responsabilidade do criador sobre os danos causados pelo animal, mas acha a medida muito radical. Apesar da discordância, ele não acredita que a legislação prejudique seus negócios se vier a ser aprovada. Vendo para outros estados que têm leis bem mais severas, diz.
O aposentado Edson Salles sentiu na pele o que é ser atacado por uma fera. Há alguns anos, foi alvo de um pitbull que fugiu do controle do dono. Hoje ele exibe marcas das mordidas no braço em que levou mais de 30 pontos. Fiquei ensangüentado da cabeça aos pés, pensei que não ia conseguir, relembra. Na ocasião, quem arcou com os gastos de hospital e medicamentos foi seu plano de saúde.
Foi o caso de Salles que inspirou o vereador a escrever o projeto. De acordo com o texto, em caso de infração, o proprietério, ou condutor do animal, será multado em R$ 500 e terá o cachorro apreendido. A fiscalização da medida ficaria por conta da guarda municipal.


