SEGURANÇA URBANA - Poder de Polícia
PUBLICAÇÃO
sábado, 17 de março de 2007
Wilhan Santin<br>Reportagem Local 
Equipe da FOLHA DE LONDRINA, integrada pelo repórter Wilhan Santin, pelo editor de fotografia Sérgio Ranalli e pelo repórter fotográfico Evandro Monteiro, acompanha as incursões da elite da polícia londrinense pelas ruas da cidade, sob contínuo risco e tensão, para contar e mostrar aos leitores o que é trabalhar movido a adrenalina
Sexta-feira, 13h. No 5º Batalhão de Polícia Militar o sol está de ''rachar mamona'' e os policiais do Pelotão de Choque recebem as últimas instruções para o início de um plantão que só vai terminar na madrugada do dia seguinte, 12 horas depois.
Os policiais estão no pátio, ao lado das viaturas. O sargento Marcos Johas, 18 anos de Choque, instrui a formação com diversas ordens militares. Perfilados, em posição de sentido, o pelotão está pronto para ouvir o tenente Franck. É ele o comandante do Choque de Londrina.
Enquanto o tenente passa as instruções do dia para seus homens, me preparo para a aventura que vai começar. Visto um colete à prova de balas, que resiste até a tiros de fuzil. Isso me deixa mais tranquilo, porém o colete pesa em torno de oito quilos. O calor, que já era acentuado, agora é ainda maior.
Terminadas as instruções, os policiais dão um grito de guerra. ''Choque!''. Começo a perceber o grande orgulho de cada um deles por fazer parte desse pelotão especial. Os policiais do Choque não ganham nem um centavo a mais do que os outros, mesmo fazendo alguns trabalhos considerados de alto risco, como invadir penitenciárias, em casos de rebelião, ou desarmar bombas. Eles são voluntários, pedem para fazer parte do pelotão e, segundo o tenente Franck, existe até uma fila de espera para a função.
É hora de ir para a rua. Deixamos o Batalhão em direção ao centro da cidade. As viaturas, caminhonetes Frontier, parecem ter sido feitas sob medida para quatro policiais. Nos bancos da frente estão o motorista, soldado Jeferson Santos e o tenente Franck. No banco de trás, vou espremido entre os soldados Pedro Barbosa e Alexandre Piai, em um espaço que é reservado para os armamentos de cano longo. As armas vão ficar entre as minhas pernas.
Andando devagar, a 40 km/h, os quatro homens prestam atenção em tudo que acontece ao redor. É o serviço de patrulhamento, a prevenção ao crime. De repente, o rádio informa sobre uma motocicleta roubada na Zona Norte. Sirenes ligadas e o velocímetro marcando 140 km/h. A tensão aumenta.
O motorista dá um show de habilidade e vai costurando o trânsito. A viatura não tem seguro. Se acontecer algum acidente, as leis de trânsito serão cumpridas, e o dinheiro, para pagar o prejuízo, vai sair do bolso do próprio policial condutor.
O patrulhamento agora começa a ser feito na Zona Norte. Estamos em busca da moto roubada. Alguns minutos depois, o rádio informa que a tal moto foi vista na Avenida Leste-Oeste, indo em direção ao Centro. Já que estamos por ali, o tenente decide percorrer alguns bairros da Zona Norte.
O rádio continua despejando informações para a viatura. Mais uma motocicleta é roubada e outra é furtada. Um carro também foi roubado. O soldado Piai é o encarregado de anotar todas as ocorrências e, principalmente, as placas e características dos veículos roubados.
Um rapaz andando por uma rua praticamente deserta é o primeiro abordado do dia. Mais 21 homens serão abordados antes de a viatura voltar para o 5º Batalhão no fim da tarde. Existe uma técnica para esse procedimento. Cada um dos quatro policiais é responsável por uma função específica. ''Há um comando, mas o trabalho é de equipe, o tempo todo'', ressalta o tenente.
A voz de comando de um policial com arma em punho dizendo: ''Parado, coloque as mãos na cabeça, vire de costas para mim e abra as pernas'', enquanto os outros descem rapidamente da viatura para auxiliar na revista, realmente deve assustar.
No entanto, um preconceito que eu tinha das abordagens policiais cai por terra, em relação ao perfil dos interceptados. ''Com o tempo, aprendemos a identificar quais são as características de um suspeito. Às vezes, uma pessoa que pode parecer normal para você, para nós é um suspeito'', explica o comandante do Choque.
Em frente a uma casa na Zona Norte foram abordados, de uma só vez, sete garotos. Todos bem vestidos, brancos, com MP3 no ouvido e tênis de grife no pé. O pai de um dos garotos, nervoso e assustado, vem conversar com os policiais e diz que eles estão equivocados, que o seu filho não deveria estar sendo revistado pelo Choque. O soldado Pedro Barbosa, que cuida da segurança da viatura, explica que esse é um procedimento normal e pede calma. ''Seu filho está na rua e por isso está sendo abordado pela polícia, é só isso. Fique calmo que ele já vai ser liberado.''
Nada foi encontrado com os meninos. De volta à viatura, os policiais me dizem que os garotos estavam sentados na calçada da casa de um conhecido traficante, atualmente detido. Chamou minha atenção o fato de os policiais terem muitas informações sobre os bandidos. Eles falam sobre isso boa parte do tempo. Onde determinado ladrão age, o veículo que ele utiliza e onde se esconde.
Às 15h48 são abordados sete homens em um bar. Três deles já têm passagem pela polícia. Os crimes são: porte ilegal de arma, porte de entorpecente e tráfico de drogas, mas dessa vez ''está tudo limpo''.
Depois de outras abordagens, uma chuva torrencial cai para refrescar o calor. Já é quase hora da janta e voltamos para o Batalhão. A aventura vai continuar à noite.


