SEGURANÇA - Patrulha é denunciada por agressão
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sábado, 29 de maio de 2004
Vanessa Navarro<br>Reportagem Local 
O Conselho Tutelar da Zona Norte de Londrina apura denúncias de agressão cometida por policiais militares da Patrulha Escolar contra adolescentes da Escola Estadual Roseli Piotto Roehrig, no Conjunto José Giordano (Zona Norte). Os conselheiros estão finalizando o relatório que será enviado ao Ministério Público (MP), pedindo abertura de inquérito para investigar os casos.
De acordo com a presidente do Conselho, Salete Ieda, o órgão recebeu denúncias de quatro mães de alunos, com idades em torno de 12 anos, relatando agressões físicas e verbais ocorridas há cerca de 20 dias. Salete não quis dar detalhes sobre os casos, mas comentou que dois adolescentes foram encaminhados ao Instituto Médico Legal (IML), para exames de corpo delito. Um dos laudos teria confirmado escoriações em decorrência do uso de violência.
A reportagem da Folha conseguiu entrar em contato com duas das mães que oficializaram denúncia. Ambas relataram que a suposta violência da Patrulha Escolar foi precedida por agressões de funcionários do colégio.
''Já haviam me chamado várias vezes na escola para reclamar do meu filho, e sei que adolescente é terrível mesmo. Mas um dia ele chegou chorando em casa, com o pescoço vermelho, e disse que tinham segurado ele, chamado de ladrão, de vagabundo. Fui até lá tomar satisfações e um coordenador, sem saber que eu era a mãe, repetiu aquelas coisas para o meu filho na minha frente'', disse Márcia (os nomes foram trocados para preservar a identidade dos menores), mãe de um aluno de 13 anos, da 5 série.
No último dia 11, logo após esse episódio, Márcia conta que seu filho foi agredido a tapas por um policial da Patrulha. Segundo ela, o adolescente teria sido punido, junto com outros meninos, porque um dos alunos teria soltado uma bombinha no banheiro da escola. ''Os policiais ameaçaram os meninos com revólveres e disseram que os matariam quando eles virassem bandidos'', detalhou. ''Acho que a escola tem que ter uma disciplina rígida, mas não mandar polícia bater no meu filho. Estou pensando seriamente em transferí-lo'', cogitou.
Tânia, mãe de um aluno de 12 anos que estudava na 6 série do Roseli Piotto, já transferiu o adolescente para outra escola. Ela afirmou que seu filho foi agredido sem motivo por policiais, com a conivência de uma professora. ''Ela brigou com o meu filho e o levou para a sala da diretoria. Lá, dois policiais deram tapas nele, a ponto de arrancar o brinco que ele usava na orelha. Várias pessoas testemunharam'', garantiu.
Tânia acredita que seu filho foi discriminado por morar no Assentamento São Jorge (Zona Norte). ''Meu filho nunca tinha tido problemas, ele nem sai de casa. Eles nos tratam como marginais, porque o lugar tem fama de gente ruim''.


