Segurança - Escola e Polícia: parceria em busca de paz
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sábado, 29 de maio de 2004
Luciano Augusto<br>Reportagem Local 
A violência das ruas pulou o muro das escolas. Mochilas, que antes serviam apenas para guardar canetas, livros e cadernos, hoje também escondem bebidas, drogas e até armas. Vistas até há algum tempo como ilhas de tranquilidade, as escolas atuais se esforçam para adaptarem-se à essa nova rotina e se manterem seguras. Sem condições de lidar sozinha com o problema, a comunidade escolar recorreu à força policial. Exagero? Não, necessidade. E se enganou quem ainda imaginava que a criminalidade estava restrita à periferia.
No banco traseiro da viatura 5923 da recém-implantada Patrulha Escolar da Polícia Militar em Londrina, a equipe da Folha acompanhou, na última quarta-feira, a ronda noturna feita pelos patrulheiros Cabo Rogel Silvério e o soldado Marciel Campos em colégios e instituições públicas de ensino da área central da cidade. Durante a jornada por nove colégios diferentes, iniciada pouco antes das 19 horas e encerrada pouco depois das 23 horas, a constatação: nenhuma está livre de problemas como agressões e desentendimentos entre alunos de bairros diferentes, uso e tráfico de drogas, consumo de álcool, pequenos furtos e roubos nos arredores. O resultado são alunos rebeldes e educadores com medo. Numa das noites mais geladas do ano, a reportagem flagrou até a prisão, por tráfico de drogas, de um suposto guardador de carros em frente ao Colégio Estadual Hugo Simas. (ler box)
E se esses problemas atingem a escola, como resolvê-los? A medida mais recente foi a implantação da Patrulha Escolar Comunitária, que começou a atuar em fevereiro deste ano. Com a filosofia de trabalhar, principalmente, na prevenção, os patrulheiros receberam treinamento para se aproximarem não só da escola mas de toda a comunidade escolar. ''O policial escolar precisa ser educado para o serviço. Tem que saber ouvir, dar atenção às pessoas. Nossa clientela não é de bandido, mas adolescentes que fazem coisas que são próprias da idade'', comenta Silvério. Além das rondas, os patrulheiros escolares também dão palestras para professores e alunos sobre legislação, perigos do uso de drogas e cidadania. ''Pretendemos combater as causas do problema e não seus efeitos'', aponta o policial.
Os frutos dessa parceria entre escola e Patrulha Escolar já podem ser vistos, garante a diretora-auxiliar da Escola Estadual Evaristo da Veiga, Maria Cristina Gonçalves Faria. O colégio, com 150 alunos no período noturno e quase 900 nos três turnos, viveu há alguns dias uma situação limite: um aluno foi flagrado em plena sala de aula portando um revólver calibre 22. ''A escola e, acredito, nenhum profissional da educação hoje, sabe lidar com adolescentes com desvio de comportamento'', admite a diretora. Por outro lado, afirma que as coisas estão mudando desde que os patrulheiros passaram a ir à escola com frequência quase diária. ''Sou a prova viva de como eles nos encontraram e como estamos hoje. E o trabalho deles beneficia não só os professores como também os alunos'', elogia.
''A sociedade mudou e como os adolescentes fazem parte dessa sociedade, eles também mudaram. São mais autônomos mas não se preocupam com as responsabilidades. A escola acabou assumindo essa educação básica sem, muitas vezes, contar com o apoio dos pais'', argumenta a diretora do Instituto Estadual de Educação de Londrina (Ieel), Sandra Regina Rodrigues do Amaral. No Colégio Estadual Vicente Rijo, o maior de Londrina com cerca de 3,4 mil alunos nos três turnos, o diretor-geral José Donizetti Brandino também avalia que a escola ainda caminha no sentido de dar uma formação mais cidadã para sua clientela. ''Hoje a escola precisa da autoridade policial, pois não tem mais condições de atuar sozinha'', diz o professor de geografia do mesmo colégio, Paulo César Quicoli. Ele comemora que os pequenos furtos que haviam nos arredores do ''Vicentão'' diminuíram depois que a patrulha foi implantada.


