O começo da fábrica foi muito complicado, conta Izumi. ‘‘Demorei três meses para desenvolver a fórmula do refrigerante, depois de várias viagens a São Paulo e Jundiaí e de perder muita produção’’, diz. Além de Izumi, trabalhavam na fábrica sua esposa, sua irmã Marina, outros dois parentes e três funcionários. ‘‘Mas quem ganhava ordenado era o motorista, o ajudante de produção e o engarrafador. Da fórmula à entrega, eu fazia um pouco de tudo’’, diz ele. A empresa também engarrafava vinho e pinga, trazidos de São Paulo em tonéis de 200 litros.
Trabalhando dez horas por dia, logo Izumi conseguiu comprar o terreno da primeira sede, na Rua Duque de Caxias, que valia 60 contos de réis. ‘‘Apesar de não conhecer ninguém na cidade, o dono do terreno confiou em mim e dei 1,5 conto de entrada’’.
Em 1960, a empresa deixou de fabricar guaraná, fixando-se na distribuição da Antárctica - que já fazia desde 1949. ‘‘Mas os primeiros resultados positivos eu só comecei a sentir depois de 1965’’, diz Izumi. Dez anos depois, a Corbel mudou-se para a sede atual, próximo à saída para Ibiporã.
Persistente, Izumi conseguiu uma façanha: é um dos poucos fundadores de empresa londrinense - com 50 anos de existência - a se manter como titular. ‘‘O sucesso foi obtido com muito sacrifício e pouco rendimento. É preciso reinvestir para o crescimento do negócio’’, diz o imigrante, que hoje se considera mais brasileiro do que japonês. ‘‘Comecei sem dinheiro, sem conhecimento e sem crédito’’, diz.
A distribuidora atua em Londrina e outros 20 municípios, com 110 funcionários diretos e 40 veículos. Até o final do ano, a distribuição irá abranger mais 25 cidades, aumentando o número de empregados para 150. A Corbel também trabalha com vinho, aguardentes e água mineral, mas 95% da receita vem da venda de cerveja e refrigerantes. ‘‘Somos uma das maiores distribuidoras da Região Sul’’, diz o filho Getúlio Sadao Izumi, gerente geral.
No ano passado, a Corbel vendeu cerca de 45 milhões de garrafas de refrigerantes e cervejas. ‘‘Devemos vender 60 milhões de unidades até o final deste ano’’, prevê Getúlio. Em 2003, a estimativa é vender 80 milhões de garrafas/ano. ‘‘Com a instalação de grandes indústrias em Londrina, o prognóstico é de que a cidade tenha 700 mil habitantes daqui a cinco anos’’. (C.L.)

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