Se não há pão, que comam brioches
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 14 de julho de 2008
Maria Duarte<br> Equipe da Folha 
A campanha, ainda que morna, já está nas ruas. Mais uma vez os candidatos pelo Brasil afora fazem das tripas coração para convencer você, idolatrado eleitor, que são a salvação da lavoura e vão acabar com todos os problemas que os incompetentes antecessores do partido adversário criaram ou deixaram de resolver.
O enredo é o mesmo em toda eleição, não importa se a disputa é para presidente, senador, governador, prefeito, vereador, presidente de clube de futebol ou síndico de condomínio. O mecanismo é o mesmo.
E, quando são devidamente aboletados em um cargo público, a conversa muda. Os discursos de transparência, respeito ao dinheiro público e a vontade incontrolável de trabalhar pelo bem comum sofrem uma metamorfose. O povo que se dane.
Quem nunca ficou em dúvida em frente à urna? Quem nunca se arrependeu de um voto?
Num país onde escândalos de corrupção são mais clichê que trama de novela das oito, o eleitor parece anestesiado e sem vontade de reagir. A farra com o dinheiro público é tão grande que parece não chamar mais a atenção.
Mas não há mágica. E, por mais batido que soe, é pelo voto que alguma mudança será possível. Portanto, eleitor, por favor não se acostume com os escândalos. Não mude o canal, não mude de página, não finja que não ficou indignado. Voto é consciência, protesto e cidadania.


