Trocar boas notas e comportamento exemplar por presentes não é negativo, segundo a psicóloga Renata Graner. Ela explica que, dependendo de como se trata o assunto, não é ''chantagem'', mas um acordo. ''Mesmo os adultos, não fazem nada sem interesse, trabalham, por exemplo, para receber salário. Crianças estudam e passam de ano, não porque vão precisar disso no futuro, mas porque vão fazer seus pais felizes'', esclarece.
Para ela, mesmo pais que tem condições financeiras, não deveriam dar presentes tão caros. ''É importante não valorizar tanto o que é caro''. Outro cuidado é que as negociações de presentear não fiquem em cima do dinheiro, do tipo ''isto custa tanto e você pode pagar''. ''O dinheiro não deveria ser uma preocupação de crianças, elas tem que aceitar que podem ter ou não determinado brinquedo porque seus pais permitiram ou não''.
Se os pais tem responsabilidades, a mídia também tem sua parcela de ''culpa'' no excessivo consumismo de crianças e adolescentes. Descoberto, há alguns anos, como um público consumidor, os pequenos têm sido alvo de propagandas maciças, principalmente na TV. ''É uma armadilha para as crianças e para os pais'', ressalta.
Como crianças gostam de ''brincar de adultos'', segundo a especialista, se tornam ''alvos fáceis'' de propagandas de telefones celulares, equipamentos eletrônicos, e no caso das meninas, de objetos que remetem ao sensual. ''É diferente dar um celular de brinquedo ou dar uma boneca de salto alto'', explica.
Já entre os adolescentes, Renata explica que o grupo tem muita importância. Daí quando pedem um presente caríssimo, podem estar buscando aceitação do grupo. ''É importante conversar com os filhos e ouvir seus argumentos, porque querem determinado presente, mas deixar claro que a decisão final é dos pais. No caso dos adolescentes, é preciso ter a tolerância que precisam do grupo para se auto-afirmarem''.
Se a saúde mental de uma criança se faz com ''nãos'', há uma ressalva, alerta a psicóloga a fantasia do Papai Noel é muito saudável e deve ser incentivada. Renata explica que, neste caso, a fantasia não é enganar a criança, mas uma maneira de brincar com ela. ''Faz parte da tradição, e isso é um daqueles valores que precisam ser retomados'', afirma.(C.P.)

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