SAÚDE DOS PETS - Hipertensão também afeta cães e gatos
PUBLICAÇÃO
domingo, 18 de novembro de 2007
Bruna Fasano<br>Agência Estado 
São Paulo Um mal silencioso, que quase não dá sinais, ameaça também os gatos e cachorros. Trata-se da pressão alta, que pode comprometer os rins, os olhos, a coordenação motora e o coração dos bichos. Neles, a enfermidade apresenta sintomas parecidos com os sentidos pelo homem, como falta de apetite, tontura, sensação de mal-estar. No entanto, nem sempre são percebidos pelos donos.
As conseqüências da hipertensão não tratada podem levar o animal a quadros irreversíveis, como cegueira repentina, hemorragia ocular, descolamento de retina, problemas neurológicos e convulsões.
O veterinário cardiologista Guilherme Gonçalves Pereira, doutorando pela Universidade de São Paulo, alerta que o aumento da pressão pode estar relacionado a outras doenças. É importante fazer o diagnóstico para evitar que uma doença controlável, como a diabete, piore o quadro clínico do animal.
Exames decisivos
A avaliação da pressão arterial pode ser realizada de várias formas. Uma delas é por meio de um cateter, inserido na artéria do animal anestesiado, e utilizada em casos de cirurgia. Mas a maneira não invasiva é a mais comum: o médico usa o Doppler, aparelho que amplifica o som do fluxo sanguíneo nas patas do bicho. O estetoscópio não costuma ser utilizado, já que não funciona em animais de pequeno porte.
O veterinário Marco Antônio Gioso, professor de Cirurgia Veterinária da USP, afirma que são necessárias, pelo menos, três medições para que se chegue a um valor seguro. Como os animais estão geralmente sob tensão, é aconselhável que se faça mais de duas medições, para se ter uma margem segura e garantir o diagnóstico confiável, explica.
Novidade no setor veterinário, o Pet Map é um aparelho que faz o mapeamento da pressão arterial. O equipamento detecta a oscilação dos batimentos cardíacos, tornando o procedimento mais rápido e preciso.
Nelly Themes José é dona de dois cachorros da raça lhasa, Fred e Freeway. Os animais mediram a pressão arterial pelo método Doppler e pelo mapeamento. Fred passou no teste, mas Freeway, que já apresenta quadro de hipertensão há dois anos, ainda precisa de tratamento. Nelly calcula que gaste cerca de R$ 150 por mês com medicamentos para ele. Os remédios usados são os mesmos dos humanos - a diferença é a dosagem.
Em Londrina, avaliação pode ser feita no HV
A professora do curso de Medicina Veterinária da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Sueli Beloni, reitera que a hipertensão arterial em cães e gatos pode ocorrer, basicamente, por dois motivos: cardiopatias ou disfunções renais.
Segundo ela, geralmente o problema ocorre em animais com mais de oito anos de idade. O proprietário deve ficar atento a sinais que demonstrem o quadro de hipertensão. Quando o caso é renal, o bichinho toma muita água, urina em excesso, emagrece, fica desidratado e não se alimenta normalmente. Quando se trata de um problema cardíaco, os sinais vêm em forma de tosse, cansaço e apatia para brincadeiras.
Quando percebe esses sintomas, o dono do animal não costuma dar importância porque acha que é apenas um sinal de velhice, porém esta não é a atitude correta. O melhor é procurar um atendimento veterinário, pois a evolução da doença é rápida, ressalta a professora.
No Hospital Veterinário (HV) da UEL existem dois tipos de aparelhagem para aferição da pressão arterial de cães e gatos. Um deles é muito aparecido com os equipamentos utilizados pelos humanos, como estetoscópio e esfigmomanômetro. A diferença fica por conta dos manguitos, que podem ser de vários tamanhos. No HV há também o sistema de doppler.
No entanto, não é possível levar o animal até lá apenas para verificar a presão. Percebendo os sinais que já mencionamos, o proprietário pode trazer o animal a qualquer hora do dia ou da noite. Havendo a necessidade, acontecerá o encaminhamento para o nosso projeto de cardiologia, finaliza Sueli. (Wilhan Santin)


