Saúde alerta para o perigo do botulismo
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segunda-feira, 10 de janeiro de 2005
Maigue Gueths<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Nos últimos cinco anos, o Brasil registrou apenas 18 casos de botulismo por contaminação alimentar. Desses, quatro ocorreram no ano passado, sendo que todos resultaram em óbito. ''Os números parecem insignificantes, mas para nós um caso já é um surto, em função da letalidade da doença'', diz Ronaldo Trevisan, chefe de Divisão de Alimentos da Vigilância Sanitária da Secretaria de Estado da Saúde.
Apesar de o Paraná não ter nenhum caso notificado, nessa época do ano há preocupação com a prevenção da doença. Isso porque a contaminação com o botulismo ocorre principalmente por meio de conservas de vegetais, que não tenham sido preparadas corretamente. Uma da fontes de contaminação pode ser a conserva de palmito, muitas vezes extraído ilegalmente e vendido clandestinamente nas estradas do Litoral.
O botulismo é transmitido por uma bactéria presente no solo, e que pode contaminar alimentos. Isso acontece quando a bactéria encontra-se em um meio anaeróbico (sem ar), como é o caso de um vidro de conservas. Nesse ambiente, ela produz a toxina que causa o botulismo. ''Acontece no palmito, por exemplo, porque ele é tirado da floresta, levado de arrasto ou fica no solo e pode ser contaminado'', diz.
Também podem ser fontes de contaminação alimentar, segundo ele, patês de carne em conserva, e a chamada ''carne de lata'', uma carne frita mergulhada em banha para conservar, de consumo mais comum em cidades do interior, onde não há energia elétrica. A carne de lata foi, inclusive, a fonte de contaminação das quatro pessoas de uma mesma família, residentes no interior da Bahia, e que morreram todas em 2004.
Ele ressalta, no entanto, que a toxina do botulismo só é liberada quando o processo de fazer a conserva não é adequado, quando há pouco tempo de cozimento ou a salmoura não contém o PH ideal para conservar. Por isso, para evitar o problema o ideal é adquirir apenas palmito de procedência conhecida. Outra recomendação é ferver ou cozinhar o alimento por pelo menos 15 minutos, além de temperar a conserva com bastante sal e limão ou vinagre.
O botulismo atinge o sistema nervoso, impedindo a liberação de uma substância responsável pelos movimentos de contração dos músculos, levando a uma paralisia flácida, deixando os braços e pernas com dificuldades de movimentação, além de ocasionar em seu estágio final uma parada respiratória.
De acordo com Trevisan, o diagnóstico precoce é muito importante para controle da doença. ''O botulismo causa paralisia descendente, do crânio para os membros, uma paralisia flácida, caem as pálpebras dos olhos, e normalmente é bilateral'', explica. Outros sintomas da doença são: vômito, diarréia, vertigem, visão turva ou dupla, secura na boca, modificações na voz e flacidez muscular generalizada.
Embora seja uma doença grave, o botulismo tem cura. Por isso, é fundamental que nos primeiros sintomas a pessoa procure um posto médico para uma consulta. Caso a doença seja compovada, o paciente receberá um soro específico contra a toxina.
Além do botulismo, outras formas de contaminação alimentar podem acontecer, causadas principalmente pelo que se consome na rua. Neste caso, atenção à higiene antes na hora escolher o quiosque ou carrinho que oferece sanduíches, salgados e outros alimentos rápidos.


