Estou com saudades do jacaré. Dessas esquisitas, mal-explicadas. Pelos passeios de bicicleta, volta e meia ele aparecia. Não intervinha na minha vida e nem eu na dele. Mas, por certo, o Parque Barigüi perdeu, com a sua saída para o Zoológico, em junho, um terço do seu charme. Os sagüis, de algum modo, lembram que resta certa natureza selvagem ali. Fugiram, com certeza, de uma propriedade privada das redondezas.
A última novidade poderia ser o Flocos, um coelho branco e negro. Porém, perseguido pelo segurança da mansão depois de fuga desgovernada pelo portão deixado entreaberto, a esperança seguiu rio abaixo; contei onze minutos e mais um tanto até sua captura. Uma pena. Teria sido mais um para a fauna do parque.
Não esqueço, é certo, das pacas. Ouvi dizer que algumas andaram desaparecendo de lá. "A carne é boa", justifica um dos supostos raptores. O que sei é que se alimentar delas dá dor de barriga.
O jacaré não. Guerreiro, jamais deixou ser capturado para virar botas ou uma jaqueta cafona. Já vi jogarem pedras nele. Era nervoso e não gostava da brincadeira. Foi fotografado diversas vezes e acusado de comer cachorrinhos curiosos em outras oportunidades. Por alguns, inclusive, era tido como uma ameaça.
Respondia por 33% do charme do parque. Agora, ao Barigüi, só restam 67% do charme original, em uma matemática dessas esquisitas, mal-explicadas. Estou com saudades do jacaré.

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