Na portaria da Folha, em Londrina, o repórter Lúcio Horta passa apressado pela recepcionista Rosimara Araújo. Ele sobe as escadas para a Redação. Tem que dar telefonemas - ouvir o outro lado - e começar a escrever a matéria do dia.
A recepcionista Rosimara tem algo em comum com os jornalistas: muitas histórias para contar. O pessoal da Redação não sabe dos malabarismos de Rosimara para segurar diplomaticamente os cidadãos que querem aparecer no jornal de qualquer jeito - mesmo que não tenham um motivo plausível para isso. Só para ficar num exemplo, há o sujeito que chega à recepção do jornal sempre com disfarce: bigode, cabelo tingido, máscara, mordaça, óculos com retrovisor. ‘‘Mas a gente procura atender todas as pessoas com atenção. Às vezes, eu recebo um elogio e isso compensa tudo’’, diz Rosimara.
Milton DóriaElas na Redação: evolução e ocupação de espaço como nunca na história da FolhaQuando a jornalista Carmen Kley chegou à Folha, em 1974, só havia três mulheres: ela, Linda Bulik e Rose Arruda. Hoje Carmen é Editora da Folha 2, juntamente com Célia Musilli. Nestes anos, ela acompanhou a evolução da turma feminina no jornal. A Redação cresceu e o número de garotas também. ‘‘Hoje, em várias editorias, as mulheres estão em maior número. E a competência é a mesma’’, diz.
Para dar mais um toque feminino ao ambiente de trabalho, Rosângela Vale e Karla Matida, da Folha da Sexta, criaram, no cantinho na Redação, um quadro com recortes sobre o assunto que elas mais abordam no jornal: moda e comportamento. São fotos de modelos, grifes, campanhas publicitárias. Para Rosângela e Karla, as tendências da moda são um espelho do mundo real. ‘‘Antes, era a alta-costura que ditava as regras para a moda das ruas. Agora, a pirâmide se inverteu: é a rua que determina as tendências da alta-costura’’, analisa Rosângela.
São 11 horas da manhã. Lúcio Horta está ao telefone, atrás de uma resposta da prefeitura. Meia hora depois, levanta-se e vai correndo para a APAE. Quer entrevistar as mães de crianças excepcionais até o meio-dia, na fila de saída da escola que vai fechar.
Mário CésarRosimara e Dozinete Pinto: garantia na recepçãoA essa altura, o chefe de reportagem Walter Ogama já entrou em contato com as pauteiras de Londrina e Curitiba. Por telefone, ele organiza coberturas integradas entre os jornalistas de cada cidade. Também consulta as agências para verificar o noticiário internacional e nacional. Ele está ‘‘costurando’’ a Folha de amanhã.
Pouco antes do meio-dia, o repórter Lúcio Horta chega à Redação, depois de entrevistar as mães da APAE. Sai para uma rápido almoço, acompanhado pelo editor de Política Estadual, José Fernando da Silva. O cardápio? Bife à parmegiana. O assunto da conversa? Jornalismo, é claro. O repórter se despede do editor e volta voando à Redação.
Enquanto o jornalista Horta digere o bife e digita a matéria, escrevendo-a mentalmente antes, a Folha não lembra em mais nada o sossego das primeiras horas da manhã. .Mário CésarEm campoNa APAE, Lúcio levanta a história. Falta de verba ameaça a instituição
Paulo Briguet

mockup