SANTA FELICIDADE - O bairro mais italiano da Capital
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segunda-feira, 05 de março de 2007
Denise Ribeiro<br> Equipe da Folha 
Bairro curitibano que mais recebe visita de turistas e dos próprios moradores da cidade atraídos pela culinária italiana típica do local, Santa Felicidade conquista a todos pela força da tradição. Povoado a partir de 1878 por famílias de imigrantes italianos da região do Vêneto, o bairro que naquela época chamava-se Taquaral, mudou de nome por causa da gratidão dos colonos recém-chegados a uma senhora chamada Felicidade Borges. A ''santa'' Felicidade pertencia à família portuguesa proprietária das terras no local e intermediou a negociação dos lotes com os italianos por ser a única a conhecer o idioma deles.
Moradora no bairro desde que nasceu, Débora Balbinot, de 34 anos, diz que, até duas décadas atrás, Santa Felicidade ainda mantinha características do tempo de colônia italiana. ''Todo mundo conhecia todo mundo, todos sabiam o que acontecia'', conta. Bisneta de italianos, Débora lembra que quando os avós eram vivos se comunicavam só em dialeto. ''Nunca entendia o que eles falavam.'' Nos tradicionais almoços em que a família toda se reúne, o pai e os tios voltam a falar no dialeto dos antepassados. Outro costume é referir-se à região central do bairro como ela era chamada no tempo dos avós. ''A gente continua dizendo que vai até ali à colônia'', explica Débora.
Mas a principal característica preservada pelos moradores mais antigos do bairro é o trabalho em família. Restaurantes, vinícolas e fábricas de móveis seguem administradas por seus fundadores ou herdeiros. Neto dos primeiros imigrantes da família Dall'Armi a fixarem-se em Santa Felicidade, Lineu Dal'Armi (com um 'l' a menos por erro do cartorário), de 65 anos, ainda vive da fabricação de vinho, suco de uva e quentão, como comprovam as mãos tingidas com o roxo das uvas.
A produção começou em casa para consumo da família e de alguns amigos que passaram a fazer encomendas, até que em 1930 foi criada a fábrica. ''Se esses que vieram da Itália naquele tempo vissem como está agora se espantariam'', comenta o vinicultor. A família toda ainda reside no bairro, segundo Lineu Dal'Armi. ''Quem se estabeleceu aqui não sai mais porque é bom. Até pouco tempo não tinha nem delegacia, é um bairro pacato. E ainda mantém as tradições de 100 anos atrás.''
Conhecido principalmente pela boa comida e pela variedade de restaurantes, Santa Felicidade é o destino do casal Edna, de 56 anos, e Nelson Bietkoski, de 58, quase todo final de semana. ''Vale a pena, o atendimento é especial'', justifica Edna. ''Aproveitamos para fazer um passeio também'', completa Nelson.
Para Anderson Olsen, de 20 anos, e Patrícia Schelela, de 19, além da boa receptividade dos restaurantes, o bairro também é um bom lugar para pessear próximo à natureza. ''Aqui a gente fica à vontade'', afirma Olsen.
Moradores da cidade de Telêmaco Borba, Fabíola Komukai, de 33 anos, e Márcio Vinkowski, de 44, gostam de voltar a Santa Felicidade sempre que estão na Capital, para conhecer um novo restaurante a cada visita. ''Um vai indicando para o outro e assim a gente vai andando. Ir sempre no mesmo não tem graça. É bom ir variando'', explica Fabíola. Para a turista, a tradição é o que matém o bairro tão atrativo. ''Quem vem para Curitiba tem que vir conhecer os restaurantes, o ambiente. Se bobear a gente fica a tarde inteira sentado num banco aqui só olhando o movimento'', completa.


