Curitiba - A Santa Casa de Misericórdia de Curitiba foi um dos 18 maiores centros transplantadores de coração do mundo, em 2007, segundo The International Society for Heart and Lung Transplantation (ISHLT). O hospital realizou 27 transplantes em adultos, no ano passado, o maior número também entre as instituições brasileiras.
Para o cirurgião Evandro Sardeto, o ótimo desempenho se deve a equipe multidisciplinar de transplante de coração, somada a qualificação do trabalho da central de captação de órgãos feito no Paraná, e, principalmente, ao aumento de doadores. Outros pontos positivos são as melhorias no controle clínico pós-operatório e das drogas imunossupressoras.
''Em 2007, a maior parte das doações veio de Santa Catarina, já nesse ano, os sete transplantes que fizemos foram com corações de doadores paranaenses. As famílias estão doando mais e consequentemente, fizemos mais transplantes'', observa o cirurgião, acrescentando que a lista de pacientes da Santa Casa tem menos de dez pessoas e que o tempo de espera, hoje, não passa de seis meses.
O hospital realizou o primeiro transplante de coração, em 1994 - até agora são mais de 80, todos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) -, cujo receptor ainda está vivo, superando as estimativas de sobrevida para o tratamento.
O próximo da lista de espera da Santa Casa é o catarinense Cássio Duffeck, 39 anos, portador de miocardiopatia dilatada idiopática e cujo estado de saúde é delicado. O paciente está internado em ambiente de UTI, há um mês.
''Preciso de oxigênio para dormir, não consigo subir escadas, andar ligeiro, nem amarrar o cadarço do sapato. Não conseguia também dirigir meu caminhão. Há oito meses estava ótimo, trabalhava normalmente, fazia exercícios. Mas aí fui piorando e tive até uma parada respiratória'', relatou ele, que é casado e tem um filho pequeno.
''Minha espera é feliz, sei que é a única solução para eu viver melhor. Quase consegui um coração, mas de última hora, a família não autorizou a doação. Fiz todos os procedimentos pré-transplante, cheguei a fazer barba, cortar o cabelo e as unhas. Não fiquei frustrado, estou bem preparado psicologicamente e tenho todo conhecimento sobre o pós-cirúrgico. Falta só o coração. Se eu sair dessa, aposto que ganho mais 20 anos de vida'', acredita Cássio, que apesar do estado de saúde, conversava com muito bom humor.
Segundo a coordenadora da Central Estadual de Transplantes, Jussara Trancoso, 96 pacientes aguardam na fila de espera por um coração, dos quais 47 ativos (concorrendo ao órgão) e 49 semi-ativos.
''As doações de órgãos, não apenas de coração, vêm aumentando no Estado diante das campanhas realizadas, conscientização da população e o trabalho fundamental de notificações de mortes encefálicas dos hospitais junto às Comissões Intra-Hospitalares de Doações de Órgãos e Tecidos para Transplantes (Cidott's)'', pontuou ela, acrescentando que o Paraná tem um dos menores índices de rejeição de doação de órgãos do Brasil. (F.G.)

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