Samba esquema novo
A presença em Curitiba do ''Magnata Supremo da Elegância Moderna'', título que Walter Alfaiate ganhou por ser um dos homens mais bem vestidos do Rio de Janeiro, tocando ao lado da Orquestra Maria Faceira, prova que o samba tem seu espaço na cidade. Para Walter Alfaite, o samba anda com as pernas boas não só em Curitiba. ''O samba tá bem pra caramba. Nelson Sargento foi muito feliz na frase dele: 'O samba agoniza mais não morre''', diz o botafoguense e portelense. ''Tem muito garoto cantando, fazendo música, tocando cavaquinho e violão de sete cordas'', diz.
Ele tem razão. Há anos o Brasil não ganhava uma nova geração de sambistas (e seus desdobramentos) como esta dos anos 2005, 2006, 2007 e este 2008 que já vai lá pelo meio. Desde o surgimento do Los Hermanos, que no início misturava rock com marchas de carnaval, o País ganhou diversos sambistas ou artistas que se enveredaram pelo gênero, fazendo samba puro ou investido em misturas inusitadas.
Entre os diluidores do gênero, estão os já citados Los Hermanos, o rapper Marcelo D2, que coloca hip hop no samba, e a Orquestra Imperial, que a partir do samba de gafieira mistura música cubana, marcha e temperos de rock. Há ainda o ótimo compositor paulistano Romulo Fróes, que faz um samba triste influenciado tanto por sambista como Batatinha e Nélson Cavaquinho quanto por bandas do pós-punk inglês, como The Smiths e The Cure; e, em menor grau, Marina De La Riva, que colocou pitadas de samba em seu disco de estréia, dedicado aos sons de Cuba.
Entre as novas cantoras que se arriscaram a cantar o ritmo, estão Mariana Aydar e Maria Rita, que no ano passado lançou um bom disco cantando apenas sambas. No mesmo caldeirão, há aqueles que surgiram em rodas ou só cantam o gênero, seguindo a tradição. Roberta Sá lançou dois discos mais que elogiados, em que o gênero é o carro-chefe. A carioca Teresa Cristina, acompanhada de seu Grupo Semente, é uma unanimidade no quesito qualidade. Do lado masculino, Seu Jorge e Zeca Pagodinho são um sucesso. (T.A.)





