Salvos por um jabuti
De tão desgastante, as horas passadas na selva rendem adicional ao salário dos militares que trabalham no Cigs. Na farda, os instrutores carregam um distintivo indicando quantas horas de Amazônia possuem no currículo. O controle de entrada e saída das bases em ambiente de selva é feito com ponto eletrônico por meio das digitais de cada militar.
Se o ambiente de selva por si só - com suas impossibilidades de comunicação, alta temperatura e umidade - desgasta, uma situação de isolamento na mata, sobrevivendo somente do que a natureza oferece, exige ainda mais.
No entanto, para um Exército que aposta em seus soldados numa eventual invasão é preciso ter gente que saiba sobreviver da floresta. Por isso, os alunos do Curso de Operações na Selva (COS) passam três dias dentro da Amazônia. É o teste de sobrevivência.
Divididos em grupos de 13, os oficiais tiveram que cumprir as tarefas de deslocamento pela mata, montar acampamento e providenciar comida e água. Exaustos pela caminhada e mal alimentados, eles passaram sufoco. Os alunos de um dos grupos só conseguiram se manter em pé graças a um jabuti.
''Para chegarmos ao local onde montamos base foi difícil. Muito tempo de caminhada. Havia também o fato de não sabermos quanto tempo permaneceríamos na mata. Achamos palmito e bacaba (um tipo de fruta), mesmo assim a fome era grande. No primeiro dia, fomos dormir famintos. No segundo dia, mais caminhada para trocar de base. A sorte foi encontrarmos um jabuti. Parece que Deus colocou o animal ali, em um lugar seco, longe da água. Estávamos exaustos. Se o animal andasse a 2 km/h não o pegaríamos. Do jabuti, fizemos um caldão que alimentou a todos. Isso aí levantou a nossa moral e ajudou a nos mantermos até a saída da mata, no dia seguinte'', relata o aspirante a tenente Leandro Monteiro de Figueiredo, 24 anos. (W.S.)





