Salários pagos em dólar atraem candidatos
A publicitária Marina Rocco Reis, de 23 anos, é pós-graduada, trabalhou na sua área de atuação por um tempo e agora prepara-se para uma nova experiência além-mar. Na primeira entrevista de seleção ela não foi aprovada. Depois de estudar mais o inglês e sentir-se mais convicta de sua escolha ela foi aprovada na segunda tentativa na semana passada. ''Sei que é trabalho árduo. Se eu aguentar e puder prolongar a experiência vou prolongar'', planeja.
No navio, o inglês é o idioma falado e obrigatório entre os tripulantes e passageiros. Os passageiros em geral são de nacionalidade brasileira, escocesa, irlandesa e inglesa. Os tripulantes são filipinos, indianos, croatas, portugueses, hondurenhos, ingleses, espanhóis, alemães, gregos, argentinos, chilenos, uruguaios, equatorianos, entre outras nacionalidades.
Segundo Marina, embora a distância de casa seja uma dificuldade, tudo a atrai na proposta. ''É uma coisa que deslumbra, conhecer a Grécia, Marrocos. Viajar eu adoro e trabalhar também. Minha mãe ficou meio desesperada por ter que passar o Natal longe. Mas estou buscando minha independência. Será um desafio, vou conhecer pessoas, países e línguas'', explica a futura tripulante. ''Vai ser difícil mas gratificante no final'', espera Marina.
Ana Carolina Almeida e Allyson Krainski, ambos de 23 anos, apostam na companhia um do outro para superar as dificuldades. ''Não sei o que ia acontecer se ele não fosse. As pessoas que vão sozinha sofrem mais de tristeza e depressão. Com o marido não fica tão difícil aguentar'', conta Ana Carolina, que recebeu o resultado de sua aprovação antes da dele. ''Vamos pensando em sobreviver a esse primeiro. Mas sabemos de pessoas que fizeram disso a profissão delas e acredito que tem grandes chances de fazermos o mesmo'', projeta Allyson.
O embarque do casal, bem como o de Marina Reis, está programado para o mês que vem, no Porto de Santos, e o contrato é de sete meses. Os navios têm itinerário na costa brasileira, Mediterrânio ou Caribe. Os salários são pagos em dólar e as gorjetas em libras esterlinas ou euros. A remuneração varia entre U$ 700 e U$ 2,2 mil (dependendo da função). O salário é bruto e sem descontos. A alimentação e a cabine não são cobradas dos tripulantes. O tempo de trabalho na costa brasileira é de três meses e o restante na Europa ou no Caribe.
Mesmo com os sacrifícios que a atividade exigirá o casal de futuros tripulantes está ansioso pelo embarque. ''Será uma chance de conhecer lugares maravilhosos, o que geralmente é caro. Normalmente guardamos dinheiro para fazer viagens. Viajar é prioridade pra gente. Mas sei que vou trabalhar mais do que conhecer'', avalia Allyson, que também terá que cortar o cabelo para assumir sua função de garçom no navio. ''Eu não queria que ele cortasse, mas é o cabelo ou o navio'', comenta Ana Carolina. (D.R.)





