Todos são responsáveis pelo desenvolvimento da cidade. Despestar a comunidade para sair da zona de conforto - aquela cultura de esperar a ação de outros, sobretudo dos governos - e fazer sua parte é um dos objetivos do projeto Rede de Participação Política/Redes de Desenvolvimento Local, promovido pelo Sistema Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep). Em 22 bairros de Londrina, os moradores já estão sensibilizados para melhorar o local onde vivem e escrever suas próprias histórias.
A articuladora da rede, Gislane Aparecida de Syllos, explica que o projeto aglutina os moradores para planejarem estrategicamente o bairro. ''O trabalho começa com um dos nossos agentes que vai até o local conversar com os moradores. Ele explica a proposta e convoca uma reunião inicial'', conta.
Durante o processo, os moradores estabelecem a visão de futuro do bairro para os próximos 10 anos e definem metas e ações. No Conjunto Maria Cecília, na Zona Norte, a comunidade já provou que é capaz de mudar a realidade. ''Uma das metas do grupo era tirar das ruas as crianças durante o contraturno escolar. Uma das ações definidas pelos próprios moradores para atingir esta meta foi a Biblioteca Virtual'', relata.
A comunidade buscou parcerias para viabilizar o sonho. O Sistema de Cooperativas de Crédito (Sicoob) custeou aluguel do imóvel e os computadores. A Cáritas Arquediocesana contratou os dois monitores que trabalham no local. ''Mas quem é responsável por cuidar da biblioteca é a comunidade'', ressalta Gislane. Segundo ela, o projeto da Fiep visa ''estimular o protagonismo local, fazer com que a população saia da zona de conforto''.
Um mundo novo
A vida da criançada mudou muito desde que a Biblioteca Virtual do bairro foi inaugurada, em outubro. Boa parte dos meninos e meninas não tem internet em casa e a novidade veio a calhar. ''Eu só usava a internet quando meu pai me dava dinheiro para ir à lan house'', conta Gustavo Prado, 12 anos, aluno da 6 série do ensino fundamental.
Quando a reportagem esteve no local, Gustavo se divertia com um jogo de futebol hospedado no site da UOL. ''Estou aprendendo a bater falta'', explicou. Já a menina Giovana Nunes, 13 anos, da 7 série, conversava com os amigos no MSN.
Apesar da diversão, as crianças garantem que também utilizam a rede para fazer trabalho de escola. Giovana pesquisou sobre o filme ''Grease'' para um trabalho sobre a geração dos anos 1950. E o amigo Maiky Hernandes, 12 anos, havia pesquisado a respeito de Leonardo da Vinci.
A biblioteca tem 15 computadores, todos conectados à internet, e funciona de segunda a sexta-feira, das 9 às 17h30. Em breve, deve abrir também aos sábados.

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