As negociações da prefeitura de Londrina com o grupo coreano Kumho para a instalação de uma indústria de pneus no município acabaram esbarrando num personagem até pouco tempo discreto nos bastidores políticos do governo federal. O ex-ministro das Comunicações, Luiz Carlos Mendonça de Barros - que havia deixado a presidência do Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES) para assumir o legado do ‘‘primeiro-amigo’’ Sérgio Motta, morto em abril deste ano - serviu de sumidouro para as tabulações da prefeitura e dos técnicos do Plano de Desenvolvimento Industrial de Londrina (PDI) para garantir a fábrica da Kumho.
Essa foi, pelo menos, a principal conclusão do prefeito Antonio Belinati após uma única reunião na sede do banco, no Rio de Janeiro, realizada poucos meses atrás. ‘‘Do meio da rua, ainda no Rio, telefonei para o empresário João Jabur (diretor da Jabur Pneus, principal articulador das negociações com o grupo coreano) e avisei que, se dependesse do Luiz Carlos Mendonça de Barros, a fábrica não viria para Londrina’’, conta Belinati.
Mendonça de Barros, na época já ministro das Comunicações, segundo o prefeito, mantinha o mando dentro do BNDES, por ter feito o sucessor na presidência do banco. A saída de Mendonça de Barros do governo, como consequência direta do escândalo do grampo telefônico no BNDES, abre uma nova perspectiva para o projeto, acredita o prefeito.
‘‘Só espero que a nova diretoria que assumiu o banco não demonstre ter a mesma intenção de prejudicar os projetos industriais de Londrina e do prefeito Antonio Belinati’’, afirma o prefeito. Ele diz diz não saber que motivos poderiam ter levado o ex-ministro a frear o empréstimo pedido pela Kumho. Belinati também evita vincular a suposta manobra do ex-ministro aos interesses de qualquer outro político da região.
‘‘Felizmente, ele foi tirado do cargo de ministro. Porque, no que dependesse do poder dele dentro do BNDES, Londrina não conseguiria esse grande investimento’’, acrescenta Belinati. (R.F.)

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