Para juntar dinheiro e abrir uma loja de som automotivo em Maringá (Norte), Ronaldo Yoshi Kagueiama ficou um ano e oito meses no Japão, trabalhando treze horas por dia em uma fundição de metal. Sansei, solteiro, 18 anos, e funcionário de uma empresa do mesmo setor, ele não viu outra alternativa para chegar ao negócio próprio. Foi com um irmão e o pai para o Japão com a intenção de voltar em um ano. ‘‘A vida lá não é fácil’’, conta. Ele diz que só trabalhava e ficava no alojamento da fundição. ‘‘Quem fizer qualquer coisa fora disso não consegue economizar nada’’, avisa.
A crise econômica do Japão obrigou Ronaldo e o irmão a ficarem oito meses além do previsto, para garantir o dinheiro da loja de Maringá, aberta há poucas semanas. ‘‘O que mais estranhei foi a língua, que apesar de entender um pouco era um obstáculo para tudo’’, conta. Hoje ele acha que está mais difícil ir para o Japão e conseguir um bom dinheiro, por causa da crise que tem reduzido a oferta de emprego em algumas regiões do país, ou simplesmente pelo corte nas horas-extras pagas pelas empresas.
‘‘O sacrifício valeu, mas ainda é cedo para definir se o investimento deu certo’’, diz Ronaldo. Ele e o irmão colocaram toda a economia do trabalho de dekassegui na empresa, e nunca chegaram a pensar em outro investimento. Se o negócio não der certo, ele diz que volta para o Japão e começa tudo de novo.

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