Em uma resposta rápida, muitos londrinense são capazes de afirmar qual produto pode passar por uma valorização de até 2.500% desde o início da cadeia produtiva chegando até o consumidor final, mesmo com um mercado atualmente considerado morno, à espera do fim da estiagem e sujeito às variações de bolsas de valores espalhadas por todo o mundo. A resposta, simples e presente no dia-a-dia da maioria absoluta dos brasileiros, faz parte da história do País e em especial, de Londrina, considerada por muitos anos, o berço da produção e a capital nacional do café.
Nenhum produto da história da agricultura brasileira é capaz de apresentar peculiaridades semelhantes à do café. De acordo com o corretor e degustador Marcos Aurélio Bacetti, a bebida possui mais variações e nuances que o aclamado vinho.
''São incontáveis as diferenças de aroma e sabor do café. A degustação, por sua vez, também fica muito mais difícil que a do vinho. A falta de uma espinha dorsal, como no caso da bebida da uva, permite a existência dessas variações'', explica.
Talvez por isso o produto tenha alcançado o status que tem hoje. Seguindo uma tendência já observada na Europa e Estados Unidos há anos, o Brasil começa a perceber o potencial de acúmulo de valor do produto e faz uso do café como diferencial na prestação dos mais variados tipos de serviços, como a venda de livros e bolsas. ''Esse é um dos fatores que está colaborando muito para a valorização do produto final'', afirma Bacetti. ''O mercado processador está descobrindo este filão e investindo nas diferenças''.
Para vender uma xícara de café, bares e restaurantes encontram hoje a concorrência de boutiques, lojas de serviços de internet e até de livrarias. ''É um diferencial para os nossos negócios. Até já temos um público que vem à nossa loja exclusivamente para tomar café'', conta o gerente de uma grande livraria de Londrina, Luiz Maciel, que explica ainda que a sacada foi uma iniciativa copiada das ''mega-stores'' americanas. ''Nem podíamos afirmar com certeza que iria funcionar'', admite o gerente.
O ''chute'' da direção da loja, no entanto, foi dado com certa dose de segurança. O brasileiro, apaixonado por café, faz do País o segundo maior consumidor do mundo. De acordo com Bacetti, são 15 milhões de sacas por ano.
Mas a especialização não se resume aos locais de venda de café. O produto pode ser encontrado na forma de capuccino, com leite condensado, como milk shake, misturado a bebidas alcoólicas, sorvetes, bolos e, é claro, o cafezinho simples. No caso da livraria londrinense, a vedete da cafeteria é o capuccino gelado, considerado por Maciel o carro-chefe da lanchonete.
Aliados à variedade de opções, os benefícios proporcionados pelo café à saúde são inúmeros. ''Já houve polêmica sobre as consequências do consumo do produto para a saúde, mas isso não existe mais'', explica o professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Darcy Lima, no site ''CaféToko''.
Entre os benefícios à saúde citados por Lima, estão a prevenção de doenças neurodegenerativas como Mal de Parkinson, depressão, além do auxílio no combate ao tabagismo, alcoolismo e dependência química.
Ainda, segundo o professor, a bebida também age como estimulante de funções cerebrais e a presença de anti-oxidantes ajuda a evitar o envelhecimento precoce. O Conselho Nacional de Café, entidade que reúne produtores e indústrias, faz até uma recomendação de consumo ideal do produto. (Veja quadro).
E se depender da especialização a que o café pode chegar, a valorização do produto ainda não atingiu o teto. ''A quantidade de variações a que se é possível chegar com o café é enorme, o no Brasil ainda engatinha'', acredita Bacetti.

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