O início do ano letivo agrega uma preocupação aos pais. O que preparar para o lanche da escola? A falta de tempo para organizar um lanche nutritivo e a resistência das crianças para alguns alimentos ajudam a criar um dilema antes de fechar a lancheira. A opção - tanto dos adultos quantos das crianças - é sempre a praticidade, mas será que existe uma alternativa para atender a demanda dos pequenos e ainda assim manter uma refeição equilibrada na escola? A nutricionista Martina Siedel acredita que sim e dá algumas dicas essenciais para a saúde das crianças na hora de preparar a merenda.
A nutricionista lembra que com a entrada em vigor da legislação que proíbe a venda de alimentos com alto valor calórico e baixo teor nutritivo (como salgadinhos, frituras, doces e refrigerantes) nas cantinas das escolas do Estado já ajudou a criar uma consciência mais rigorosa quando o assunto é alimentação saudável. ''O ideal é mandar o lanche de casa e mesmo se a opção for alimentos prontos, fugir daqueles que contenham a gordura trans'', ensina.
Ela destaca que a gordura trans é o tipo de gordura ''da indústria'', que não deixam os alimentos se deteriorarem. Conserva o sabor, mas por outro lado é bastante prejudicial ao organismo. ''O volume de consumo dese tipo de gordura está em 1% e o consumo de alimentos que contenha a trans ultrapassa essa recomendação, prejudica à saúde e contribui para a obesidade'', explica.
Com essa recomendação, o leque das escolhas já vai reduzindo no momento e preparar o lanche para os filhos. ''Os bolos prontos contém gordura trans, então o ideal é preparar bolos simples e biscoitos em casa'', diz. O suco de caixinha também vira vilão, já que são muito ácidos. ''O indíce de cárie está aumentando por causa do abuso desse tipo de suco'', revela. A opção seria um leite com achocolatado, um iogurte ou água de côco. Formada pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) e com especialização em Nutrição Clínica e Nutrição Dietética, Martina faz uma análise do principal problema na alimentação das crianças atualmente: ''é a falta de verdura no prato'', revela.
Para ela, a questão principal está na educação. Ela comenta que nos primeiros dois anos, as crianças aprendem a se relacionar com a comida e desde os 8 meses já é possível oferecer verduras e alimentos separados no prato. ''A maioria dos pais oferecem uma sopa batida e a criança fica sem saber se gosta de abobrinha ou cenoura, já que o gosto está misturado'', exemplifica. O ideal, segundo ela, é oferecer desde cedo os alimentos separadamente e identificar o gosto da criança. ''Também não dá pra ficar insistindo muito numa mesma verdura e não fazer muita frescura na hora da refeição'', conclui.

mockup