Roma espera 2 milhões de fiéis para funeral do Papa
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domingo, 03 de abril de 2005
France Presse 
Cidade do Vaticano - Os restos mortais do Papa João Paulo II, com uma cruz em seu braço, foram expostos no domingo para receber uma primeira homenagem das autoridades depois que mais de 100 mil pessoas assistiram a uma missa ao ar livre em memória do chefe da Igreja Católica na Praça de São Pedro.
O corpo de João Paulo II, mostrado pela televisão na capela ardente da Sala Clementina do Palácio Pontifício, vigiada pela Guarda Suíça, aparece com o rosto tenso, vestido de branco com uma capa vermelha, as mãos sobre o corpo e uma cruz sobressaindo de seu braço esquerdo, com a mitra na cabeça e recostado sobre vários almofadões em um estrado de cor dourada.
O presidente da República Italiana, Carlo Azeglio Ciampi, e sua esposa Franca foram os primeiros a se inclinar ante o corpo do chefe da Igreja Católica, seguidos pelo chefe do Governo italiano Silvio Berlusconi, e membros do executivo e da cúria.
Hoje, às 15h00 no Vaticano (12h00 Brasília) está previsto que o caixão do Papa abandone definitivamente o histórico palácio pelas ''escadas dos mortos'' para ir até a Basílica de São Pedro onde o povo, (são esperados dois milhões de peregrinos do mundo inteiro) nos próximos dias, possa dar seu último adeus a um Pontífice que muitos consideram insubstituível.
João Paulo II morreu sábado, aos 84 anos de idade, deixando uma mensagem póstuma engrandecendo o amor pela prece mariana, lida ontem, dia em que se comemora a Divina Misericórdia.
''O amor converte o coração e dá a paz'' num mundo onde ''às vezes parece esquecido e dominado pelo poder do mal, do egoísmo e do medo'', escreveu o Pontífice nesta mensagem lida pelo arcebispo argentino Leonardo Sandri. ''Faço com muito honra mas, como dizer, também com muita saudade'', destacou o monsenhor Sandri, que durante as últimas semanas emprestou a voz aos Papa após o Santo Padre ter sido submetido a um traqueostomia.
Sandri esteve encarregado também de anunciar na noite de sábado a morte daquele pastor que por 27 anos permaneceu à frente da Igreja Católica. Pouco antes, mais de 100.000 pessoas assistiram à missa na Praça de São Pedro pela alma do Papa João Paulo II, também celebrada pelo cardeal Angelo Sodano, ex-secretário de Estado do Vaticano. A cerimônia contou com a participação de inúmeras autoridades.
''O Papa morreu sereno'', assegurou o cardeal Angelo Sodano na homilia, o primeiro ato oficial do Vaticano em memória do pontífice morto, vítima de um choque séptico e de uma insuficiência cardíaca irreversível, segundo o atestado de óbito. O ex-secretário de Estado do Vaticano também exaltou o amor que João Paulo II preconizou e distribuiu ao mundo, nos mais de um milhão de quilômetros de estrada que percorreu em suas 104 viagens. ''A civilização cristã é a civilização do amor, uma diferença radical da civilização do ódio proposta pelo nazismo e o comunismo'', assegurou o cardeal, que durante os últimos anos foi o número dois do Vaticano. Muitos fiéis se sentiram órfãos com a morte daquele que consideravam um pai.
Fotos, flores, desenhos de crianças e mensagens de amor enfeitavam as colunas e os postes da imponente praça, protegida na ocasião por um grande grupo de agentes de segurança, em altares improvisados em homenagem àquele apelidado carinhosamente pelos católicos como o ''Papa Peregrino''. A emoção entre os fiéis era tão grande que uma mulher morreu ao ter um ataque do coração enquanto assistia à missa na Praça de São Pedro.
Cardeais de todo o mundo, com direito a voto no Conclave, que começará entre os dias 18 e 23, estão chegando à cidade eterna para participar antes dos funerais e da reuniões preparatórias.
Os cardeais se reunirão já hoje ante a presidência do cardeal camerlengo, o espanhol Eduardo Martínez Somalo, para decidir os detalhes sobre os funerais e sobre o próximo Conclave (leia mais nas páginas 7 e 8) para eleger o sucessor de um dos Papas mais carismáticos da Igreja Católica em seus dois mil anos de história. Segundo a imprensa italiana, o enterro do Papa João Paulo II será na cripta da Basílica vaticana.
O arcebispo espanhol Cipriano Calderón Polo, vice-presidente emérito da Pontifícia Comissão para América Latina, considera que o novo Papa ''terá seu programa e suas próprias idéias, devendo representar uma mudança total na Igreja do século XXI''.


