Em 1991, o conjunto Os Paralamas do Sucesso emplacou a música ''Carro Velho'', cuja letra retratava o calvário do proprietário de um automóvel estropiado, que sonhava em acertar na loteria para comprar um carro novo.
Na época em que a canção foi gravada, Reginaldo Machado da Silva, funcionário de uma oficina mecânica em Curitiba, era um bebê de um ano. Hoje, aos 18 anos, ele vive um pouco dessa situação. Recentemente comprou seu primeiro carro, um Voyage ano 1986, mais velho que o próprio dono, que ainda nem tem carteira de habilitação.
O caso de Reginaldo não é uma raridade, segundo o Departamento de Trânsito do Paraná (Detran), atualmente rodam pelas ruas de Curitiba 103.896 carros com idade entre 21 e 30 anos. Os veículos mais velhos, com mais de 30 anos, respondem pelo maior crescimento percentual registrado nesse período, 22,24%, valor explicado pelo número relativamente pequeno de veículos nessa situação, apenas 48.327.
Os automóveis mais novos são os mais numerosos nas ruas da capital. Segundo o Detran, 458.413 carros têm até cinco anos. Essa categoria também responde pelo segundo maior crescimento percentual: 9,3% entre 2006 e 2007.
Esses números podem ser explicados pelo aumento no poder aquisitivo experimentado pelos brasileiros nos últimos anos. Com mais dinheiro no bolso, quem antes possuia um carro mais velho pode hoje adquirir um modelo zero quilômetros. Com isso o preço dos veículos usados torna-se mais acessível a pessoas com uma renda menos robusta, como o jovem Reginaldo.
''A tendência é ter mais carros velhos do que antes. Cada um quer ir com o seu próprio carro pro trabalho e eles estão comprando baratinho'', observa o assessor militar do Detran, capitão Alexandre Bruel Stange. Segundo ele, nem sempre a idade tem relação direta com a conservação do automóvel. ''Um carro velho reformado pode ficar melhor do que um seminovo'', explica.
Quem é do ramo concorda com a afirmação. Na opinião de Manoel Soares Pereira, dono de uma oficina mecânica em Curitiba, alguns carros antigos ainda são uma boa opção de negócio, principalmente para quem, como ele, tem condições de realizar as reformas necessárias para colocá-los na rua. ''Tem carros como o Passat, que mesmo mais velhos não dão oficina'', garante. Mesmo assim é preciso haver critério nas aquisições, Manoel negocia somente veículos com menos de 23 anos. ''Mais velho que isso é bobagem, acaba saindo mais caro o molho que o peixe'', compara ele referindo-se aos gastos com reformas que os carros muito antigos necessitam.

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