Criada em 1973, a Região Metropolitana de Curitiba (RMC) reúne hoje 26 municípios. Na época, quando o governo federal criou as primeiras regiões metropolitanas do País em oito estados simultaneamente, a RMC contava com 14 cidades. Desde então, novos integrantes foram sendo incorporados gradativamente. O último foi a Lapa, em 2002.
O Paraná tem outras duas regiões metropolitanas, em Londrina e Maringá, criadas em 1998, e avalia agora a implantação do modelo em Foz do Iguaçu, Cascavel, Ponta Grossa e Guarapuava. O sistema de administração das regiões metropolitanas traz benefícios como financiamentos para projetos de infra-estrutura, mas nem só de vantagens é feito esse ingresso. Para algumas cidades da RMC, por exemplo, aderir ao plano metropolitano não tem sido um bom negócio.
''Benefício para nós não trouxe nenhum. Ficamos apenas com o ônus de fazer parte da Região Metropolitana que é seguir a legislação urbanística e estar submetido à Comec (Coordenação da Região Metropolitana de Curitiba) e suas restrições'', afirma o secretário de Obras e Urbanismo da Lapa, Antonio Carlos Pasdiora. Segundo o secretário, a aplicação da legislação municipal no que se refere ao parcelamento do solo urbano, por exemplo, passou a ser condicionada às normas da Comec, o que tem dificultado o andamento dos processos.
''A cidade é muito antiga e tem uma série de pequenos terrenos que os proprietários querem dividir e não conseguem mais. A lei municipal permite mas não pode funcionar porque a Comec barra'', explica. ''Isso traz um desgaste muito grande às pessoas daqui por causa da demora e elas acabam reclamando da prefeitura'', completa Pasdiora.
O projeto de lei que incluiu a Lapa na RMC não partiu do município, ressalta o secretário. ''Isso foi aprovado durante a gestão Lerner e não se sabe como e por quê. Nunca houve justificativa técnica para a Prefeitura da Lapa'', conta. De acordo com o secretário, o município não foi contemplado com nenhum dos projetos de infra-estrutura ou integração voltados aos municípios da RMC. ''Até há estudos para melhorar a cidade mas na prática até agora não aconteceu nada'', lamenta.
As dificuldades acompanham também os municípios que integram a RMC há mais tempo. O prefeito de Cerro Azul, Dalton Luiz de Moura e Costa, também está insatisfeito. O município faz parte da RMC desde 1994 e, segundo ele, permanece isolado. ''Geograficamente não temos nada a ver com a Grande Curitiba. Cerro Azul entrou para a Região Metropolitana por questão de ego de alguém'', dispara.
De acordo com o prefeito, a maior dificuldade enfrentada pela administração municipal é adequar as exigências técnicas à topografia local e ao orçamento do município. ''Eles exigem muitas coisas técnicas que as grandes cidades podem fazer porque têm pessoal técnico para isso. Municípios menores não têm técnicos especializados e não temos condições de ter'', justifica.
A integração do transporte coletivo, um dos principais benefícios do setor, não chega até a cidade. ''Cerro Azul fica a 84 quilômetros de Curitiba e dizem que é inviável chegar até aqui com os ônibus metropolitanos por causa da distância. Só estamos cumprindo exigências até o momento, porque retorno não recebemos nada'', avalia.
Morador de Campina Grande do Sul, município que integra a RMC desde 1973, Douglas da Silva, de 18 anos, diz que não percebe ''benefício nenhum''. ''Campina Grande do Sul é muito longe e o ônibus não é integrado. Tem que pagar outra passagem se quiser andar em Curitiba'', queixa-se. Silva vem para a Capital todos os dias para treinar futebol e lamenta a falta de oções de lazer onde mora. ''É só mato.''
Mesmo com os municípios maiores e mais ricos como Araucária, a integração é desigual. ''O que retorna para nós é muito pouco. Araucária exerce posição de sustentação para outros municípios e contribuímos mais do que usufruímos'', explica o secretário de Planejamento de Araucária, João Caetano Saliba Oliveira.
O município é o responsável por cerca de 20% da geração de riquezas do Paraná e, segundo Oliveira, isso fez com que Araucária fosse excluída de grande parte dos projetos que beneficiaram os integrantes da RMC. ''Esta administração do governo do Estado foi a primeira a incluir Araucária nos últimos 20 anos. Sempre acharam que era um município rico e por isso não precisava'', conta o secretário.
''Poderíamos ser mais recompensados pelo que nós produzimos, empregamos muita gente de Curitiba e Região Metropolitana. Quando você produz, ajuda todo mundo. E não nos furtamos em ajudar. Contenda usa toda a nossa rede de saúde e não vamos fechar as portas'', observa Oliveira.

mockup