RMC escoa sua produção
O consumidor paga menos e o produtor ganha mais. Essa difícil equação foi resolvida pela prefeitura de Curitiba, por meio da criação de uma rede de descoamento da produção de hortifrutigranjeiros de sua Região Metropolitana. Em apenas dois anos, os pontos de venda da chamada rede popular de abastecimento passaram de 233 para 440, vendendo frutas e verduras 30% mais baratas, em média, do que no mercado convencional.
Para o consumidor, a vantagem de comprar diretamente do produtor, sem intermediários. E, na outra ponta, os resultados são visíveis nos números: a renda dos 1,5 mil produtores do cinturão verde da RMC subiu cerca de 50%. Eles empregam cerca de 10 mil pessoas.
Com o programa Cesta Metropolitana, o produtor Adão Soek, de Araucária, fatura R$ 2 mil líquidos por mês e garante renda para mais de 3 mil famílias vizinhas que trabalham com ele na produção. Há dois anos, quando lidava com intermediários, Soek não sõ ganhava menos da metade como ainda chegou a perder tudo o que plantou por causa de cheques sem fundo.
A renda das oito pessoas Dunaiski, de Almirante Tamandaré, também vem exclusivamente feita por meio dos programas de abastecimento de Curitiba. Os irmãos Felício e Jacó Dunaiski têm em sociedade uma pequena propriedade onde produzem morango e hortaliças, como alface, beterraba e cenoura. Nos finais de semana, a família toda trabalha em duas barracas na Feira do Produtor nos bairros Vista Alegre e Bom Retiro. ‘‘Nas feiras, a grande vantagem é que a gente recebe na hora’’, conta Jacó Dunaiski.
A rede de abastecimento da prefeitura inclui o Sacolão Curitibano, os varejões, Mercadão Popular, Armazém da família, Cesta Metropolitana, as feiras livres e especiais e o programa Direto da Roça e do Mar. Por meio desses programas são vendidas, em média, 2,9 toneladas de produtos por mês.
A rede de escoamento também é importante por representar, em alguns casos, a única oportunidade de venda para o produtor. Um exemplo é a produção de poncã dos municípios de Rio Branco do Sul e de Itaparuçu - 80% vendidos para o programa Câmbio Verde. Nesse caso, a prefeitura de Curitiba compra as frutas, a exemplo de outros produtos, para trocá-las por lixo reciclável.

mockup